A História das Mulheres Europeias
Pré- História - As Mulheres Europeias Pré- Históricas
Família - Não existiria a noção actual de casal e família. Apenas de comunidade.
Possivelmente, os nómadas acasalavam entre si, sem compromissos. O que contribuiria para a protecção da comunidade, pois os bebes nascidos eram da comunidade, e, por isso, era responsabilidade de todos protege-los. De qualquer forma como viviam em pequenos grupos, acabavam por serem todos, realmente, da mesma família genética.
Quando os seus descendentes começaram a fixar-se em terras, com as práticas da agricultura e pastorícia, começaram, também, a organizar-se socialmente de formas mais complexas.
Entre as grandes civilizações da Antiguidade, destaca-se na Europa, a Grécia Antiga, onde nasceu a primeira forma de democracia.
Esperava-se que fossem esposas obedientes e fieis. Nas famílias mais abastadas, os escravos e escravas realizavam grande parte das tarefas domésticas.
Lei - As mulheres atenienses não possuíam direitos políticos nem autonomia jurídica. Permaneciam sob a tutela de um guardião masculino ao longo da vida. Em matéria de heranças, os filhos homens eram os herdeiros. Quando não existiam descendentes masculinos, a filha podia tornar-se uma epikleros, sendo obrigada a casar com um parente próximo, como um tio, para assegurar a continuidade do património familiar.
Política - As mulheres não podiam votar, exercer cargos políticos ou participar na vida política.
Entretenimento e vida pública - As mulheres podiam assistir a alguns festivais religiosos, sempre que acompanhadas por um familiar masculino. Mas não podiam assistir ou participar em nenhum outro evento publico, como teatro, jogos Olímpicos, corridas de carruagens. No entanto, tinham o seu próprio evento desportivo, os Jogos de Hera, onde só participavam mulheres.
Escravas - Eram estrangeiras compradas em mercados ou prisioneiras capturadas de guerras. Eram consideradas propriedades que de quem as comprava e poderiam trabalhar na casa ou campo do seu dono. A violação sexual contra uma escrava era considerada dano de propriedade privada. Era crime contra o dono da escrava e não contra a escrava.
Idade Média - As Mulheres Europeias Medievais
A Europa Medieval era maioritariamente rural e profundamente cristã. A Igreja controlavam todo os aspectos da vida da população.
Religião - a Igreja demonizou as mulheres, através da associação de Eva ao pecado original e à expulsão da humanidade do Jardim do Éden. As mulheres foram acusadas, pela Igreja, de terem provocado o pecado original.
Eva - a mulher - tentou Adão e levou-o à queda - o homem. As mulheres foram consideradas provocadoras, que tentam os homens constantemente e a fonte de todos os pecados do mundo, qual caixa de Pandora!
Para se redimir, a mulher deveria ser virtuosa, modesta e sujeita à autoridade masculina, com a Virgem Maria como modelo de pureza e santidade.
As mulheres tinha, portanto, que ser controladas pelos homens ou arruinariam as suas vidas!
O papel das mulheres foi, assim, remetido às tarefas domésticas e à procriação. Mas, segundo a Igreja e a Medicina medievais, o homem é que colocava a vida na mulher. A mulher, apenas, servia de útero, para essa vida crescer lá dentro. E era atribuída à mulher a responsabilidade de alguma deformidade no seu filho.
A violação sexual de uma mulher era considerado crime contra a honra da família, e dos direitos do seu pai ou do marido. Não contra ela.
Mulheres da Realeza
Mulheres da Nobreza
Geralmente casavam-se ainda jovens e sua principal função era garantir a continuidade da linhagem.
As nobres administravam as propriedades e supervisionavam servos e vassalos dos seus maridos, quando estes estavam em viagens de negócios ou a combater em guerras. Em caso de morte do marido, podiam assumir a gestão dos negócios do marido., adquirindo uma maior autonomia.
Mas continuavam a ser excluídas da participação política do reino.
Mulheres do Povo
A maioria das mulheres pertenciam ás classes baixas, de famílias pobres. As mulheres do povo, cuidavam da casa, dos filhos, do marido e contribuíam para o sustento da família, trabalhando, também, fora de casa.
Trabalhadoras não-livres - Se nascessem servas, além de serem propriedade do seu pai e depois do marido, eram, também, propriedade do Senhor feudal, o dono das terras e da fazenda ou castelo, onde viviam. A servidão era hereditária de pais para filhos.
As freiras faziam votos de castidade, renunciavam aos bens materiais e dedicavam-se à oração, estudo e à assistência aos mais necessitados (distribuir esmolas, tutoria de crianças, cuidar de doentes e moribundos).
Mulheres da Burguesia
Do povo, surge uma nova classe social, pelo fortalecimento do comércio, a Burguesia.
Os burgueses enriqueciam através do comércio, das oficinas artesanais e das actividades financeiras. Algumas famílias acumularam fortunas consideráveis e adquiriram grande influência local.
As mulheres burguesas trabalhavam frequentemente com os maridos e quando enviuvavam, podiam assumir a direcção dos negócios do marido, conservando uma autonomia económica superior à da maioria das mulheres da época.
As mulheres europeias viveram sob estas condições, neste periodo medieval, que terá tido a duração de 1000 anos.
Idade Moderna - As Mulheres Europeias Modernas
A Europa moderna aventura-se ao mar desconhecido e explora novas terras. Já o poder régio atingiu o seu auge, em muitos reinos europeus.
As sociedade europeias continuavam a privilegiar os homens e a vida da mulher continuava, na maioria dos casos, controlada pelo homem, a partir do momento em que nascia até que morria. O casamento, a maternidade e o lar continuavam a constituir as principais funções femininas.
A invenção da imprensa e a difusão do Humanismo e do Renascimento favoreceram o acesso à educação entre as elites femininas. Algumas mulheres destacaram-se como escritoras, artistas, mecenas e intelectuais, embora a instrução feminina continuasse limitada para a maioria da população.
A Inquisição intensifica-se nesta época e milhares de mulheres, geralmente as mais pobres, são acusadas de bruxaria e condenadas a serem queimadas vivas na fogueira, enforcadas ou decapitadas.
As ideias do Iluminismo que ocorrem por toda a Europa, começam a questionar as desigualdades entre homem e mulher e vão ajudar a mudar as mentalidades europeias, que levarão à emancipação da mulher durante a Idade Contemporânea.
Este periodo terá tido a duração de 300 anos.
Idade Contemporânea - As Mulheres Europeias Contemporâneas
A Europa começa a industrializar-se, surgem as grandes cidades e as monarquias são gradualmente substituídas por repúblicas.
Olympe de Gouges envolvida na Revolução Francesa, escreveu, em 1791 uma Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, que dirigiu à Rainha Maria Antonieta da França.
Em 1792, a inglesa Mary Wollstonecraft defendeu a igualdade educativa e social para as mulheres em "A Reivindicação dos Direitos da Mulher".
Mas em pleno século 19, as mulheres continuavam sem poder votar, não podiam tomar decisões sobre os seus próprios filhos ou bens e não podiam pedir divórcio.
As mulheres unem-se e organizam manifestações onde exigem ser tratadas como cidadãs iguais aos homens, incluido salários iguais e direito ao voto. Estas manifestações foram lideradas pelo Reino Unido.
Em 1957, a Comunidade Europeia assina o Tratado de Roma, onde os países membros reconheciam que a igualdade de género era um valor fundamental.
Em 1975, a Comunidade Europeia concorda que a mulher deve receber o mesmo salário.
Em 1979, é eleita a primeira mulher presidente do Parlamento Europeu.
Em 2000, a União Europeia proclama a Carta dos Direitos Fundamentais, que defende a igualdade entre homens e mulheres em todas as áreas.
Política - Só a partir do século 20, as mulheres começaram gradualmente a poder votar nos países europeus. Sendo que a Finlândia foi o primeiro país a permito-lo, em 1906, e Liechtenstein o último, só em 1984.
Entretenimento - As mulheres podem assistir e participar em todos os eventos públicos.
Nas sociedades contemporâneas europeias, as mulheres foram reconhecidas como seres humanos e cidadãs iguais aos homens e os seus direitos estão protegidos pela lei.
Embora, ainda existam homens e empregadores que contornam a lei. Esperemos que quando estas gerações mais antigas morram, para que morram com elas, também, essas mentalidades antiquadas e opressoras, para que todas as mulheres do mundo possam, realmente, usufruir da igualdade de direitos.
Conclusão
Ao longo dos séculos da história da humanidade, as mulheres foram subjugadas às leis e cultura dos homens. Consideradas fracas de intelecto, incapazes de tomar decisões e, por isso, inferiores ao homem, viram-lhes ser atribuído um papel passivo e submisso nas sociedades europeias.
No entanto, em diferentes épocas, várias mulheres desafiaram essas normas e ousaram demostrar ao mundo o seu valor, seja na política, na medicina, nas ciências ou nas artes. Como Cleopatra na Idade Antiga, ou Joana de Arc na Idade Média, Olympe de Gouges na Idade Moderna ou Marie Curie na Idade Contemporânea.
Essas e muitas outras mulheres corajosas lutaram para que as mulheres de hoje possam ser livres, independentes e autónomas. Possam controlar as suas próprias vidas, tomar as suas próprias decisões e ser donas do seu próprio destino.
Inteligência, capacidade de decisão e liderança não dependem do género, se é mulher ou homem. Dependem de cada pessoa e das suas qualidades e competências individuais. Não são determinados pelo género.
As sociedades europeias afirmam que, actualmente, existe igualdade de oportunidade para todos. Mas a verdade é que, apenas, existe essa igualdade de oportunidade para mulheres e homens nascidos em famílias endinheiradas. Sem dinheiro não é possível receber a educação necessária, para ter acesso a profissões em que se participe activamente na vida política, judicial e cientifica da sociedade. Apenas, mulheres abastadas conseguem usufruir plenamente dessa igualdade de direitos.
Ser mulher tornou-se mais fácil, mas nascer pobre continua a ser um obstáculo para as mulheres conseguirem ter acesso à educação e a uma vida melhor, na maioria dos países do mundo.
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