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História Contemporânea de Portugal - Parte I

 

Mural alusivo à Revolução 25 de Abril de 1974, em Lisboa (fonte wikimedia commons)


Principais Acontecimentos do Portugal Contemporâneo - séc 18 à actualidade 

  • Invasões Napoleónicas - 1804 a 1811
  • Independência do Brasil - 1822
  • Guerras Liberais (1832 e 1834) - Monarquia Constitucional
  • Partilha de África - 1880
  • Ultimato Inglês - 1890
  • Regicídio de D. Carlos I - 1908
  • Revolução Republicana - Queda da Monarquia - 1908 
  • Primeira Guerra Mundial -1914
  • Ditadura Militar -. 1933 e 1974
  • Fundação da OTAN - 1949
  • Guerra do Ultramar - 1961 a 1974
  • Perda dos territórios na India - 1961
  • Revolução 25 de Abril de 1974 - Transição à Democracia 
  • Descolonização de África - 1975
  • Integração Europeia - CEE 1985
  • Independência de Macau (1999) e Timor Leste (2002).


Séc. 19


Reinado da 
27º Rainha de PortugaI

D. Maria I casa com o seu tio D. Pedro III de Portugal, irmão do seu pai, o rei D. José I. Aos 43 anos torna-se rainha de Portugal, por não haver um descendente varão.

O seu marido, o rei D. Pedro III ordenou a construção do rococó Palácio de Queluz, em 1747, antes de ascender ao trono.

A monarca foi afastada do trono pelo seu filho D. João VI, desde 1792, devido à aparente insanidade. Depois de perder o filho, durante o exílio no Brasil, desenvolveu todos os sintomas que, hoje, se associam a uma depressão profunda. 

Após a Revolução Francesa, Napoleão Bonaparte torna-se Imperador da França e  toma ou subjuga quase toda a Europa

  • Luxemburgo (1795), 
  • Itália (1797), 
  • Suíça (1798), 
  • Malta (1798), 
  • Croácia (1805), 
  • Reinos alemães (1806), 
  • Países Baixos (1806), 
  • Bélgica (1806), 
  • Polónia (1807), 
  • Espanha (1808), 
  • Áustria (1809), 
  • Eslovénia (1809) 
  • e respectivas colónias.

Espanha era aliada de França e Portugal de Inglaterra. O que leva Espanha a atacar Portugal, dando inicio à Guerra das Laranjas, em 1801, e a ocupar territórios portugueses. 

Portugal é obrigado a assinar o Tratado de Badajoz de 1801, em que é obrigado a ceder Olivença a Espanha, a abrir os portos aos navios espanhóis e franceses e a ceder territórios coloniais sul-americanos. Apesar do acordado, Portugal tentou manter a neutralidade.

Em 1806, após ter fracassado na tentativa de invasão à Inglaterra, Napoleão  impõe o Bloqueia Continental, ordenando que todos os países europeus fechassem os portos aos navios ingleses, proibindo a importação de mercadorias britânicas, para arruinar economicamente o Reino Unido. Portugal, como antigo aliado de Inglaterra, recusa e tenta negociar.

Então, Napoleão decide invadir Portugal. Mas como os mares eram controlados pela Marinha Real Britânica, as tropas francesas necessitavam passar por território espanhol.  Assim, Napoleão faz um acordo com Espanha para dividir Portugal (Tratado de Fontainebleau de 1807).  

Portugal enfrentou 3 invasões francesas de 1807 a 1811. Os soldados ingleses vieram em auxílio dos portugueses. 

A Primeira invasão francesa acontece em 1807, comandadas por Junot. A família real foge para o Brasil, escoltados pela marinha inglesa. A fim de assegurar a continuidade dinástica e assim a independência de Portugal. A viagem durou 54 dias e foi a primeira vez um monarca europeu pisou uma colónia. 

Mas, em 1808, Napoleão muda de estratégia e invade e toma Espanha. Ficando o seu irmão, José Bonaparte, a governar Espanha durante 5 anos. E, em 1809, é iniciada a Segunda Invasão Francesa a Portugal. 

A Terceira Invasão Francesa, em 1810, marcou a derrota definitiva e retirada das tropas francesas de Portugal, em 1811.

Os portugueses lutaram bravamente, com o apoio britânico e venceram as tropas de Napoleão, feito que a maioria dos países europeus não conseguiram, mas o país sofreu muito com estes 4 anos de guerrasEnquanto franceses e ingleses continuaram o seu desenvolvimento económico, o território português, que havia sido transformado num campo de batalha, ficou devastado, a indústria e a agricultura estagnadas e a população drasticamente reduzida.

Entretanto, Napoleão é derrotado na Batalha naval de Waterloo, na Bélgica, pela Inglaterra e Prússia. E os governantes dos reinos europeus unem-se para repor os limites territoriais alterados pelas conquistas de Napoleão (Congresso de Viena de 1814 e 1815). Em que Portugal recupera Olivença de Espanha. Mas Espanha nunca devolveu até aos dias de hoje.

Reinado do 28º Rei de Portugal
D. João VI tornou-se oficialmente rei aos 49 anos, mas já havia assumido o governo, aos 25 anos, desde 1792, devido à doença mental da mãe.

Chegado ao Brasil, o monarca abriu os portos brasileiros ao comércio internacional, em 1808, pondo fim à exclusividade comercial do Brasil com Portugal. 
Em 1810, assinou um tratado de comércio com a Inglaterra, dando grandes vantagens aos ingleses no comércio brasileiro. Deixando o continente dependente das importações inglesas, desequilibrando fortemente a balança comercial. 

Uma vez que a família real e a corte residem, agora, no Brasil, a capital do reino passa a ser o Rio de Janeiro, em 1815.

Os britânicos, que tinham vindo em socorro de Portugal durante as invasões francesas, mantiveram-se em Portugal, liderados por Beresford. Na prática Portugal era um protectorado inglês.

A 24 de Agosto de 1820 deu-se uma revolta do exército, no Porto, a Revolução LiberalO monarca regressa a Lisboa, em 1821, onde jura a Constituição liberal.  

O rei D. João VI deixou o filho, D. Pedro IV, como regente da colónia brasileira.

Reinado do 29º Rei de Portugal
D. Pedro IV, defensor do liberalismo, proclama a independência do Brasil e é coroado Imperador D. Pedro I do Brasil, a 1 de Dezembro, de 1822. Mantendo, desta forma, o governo sobre o Brasil.

Entretanto, o seu pai morre e D. Pedro IV abdica do trono português a favor da filha D. Maria II, com a condição de ela se casar com o seu tio D. Miguel e fazer o juramento da Carta Constitucional, para um Portugal mais liberal.

Reinado do 30º Rei de Portugal
D. Miguel I casa, então, com a sobrinha, D. Maria II, em 1826 ,e torna-se rei de Portugal.

O país estava dividido entre os liberais que exigiam uma constituição liberal e os absolutistas que se opunham e queriam manter uma monarquia absoluta e a ordem tradicional de classes sociais.

Apoiado pela sua mãe D. Carlota Joaquina, D. Miguel proclama-se rei absoluto, faltando ao compromisso assumido com o seu irmão, e começa a perseguir violentamente os liberais.

Em 1831, D. Pedro IV abdica do trono brasileiro e volta a Portugal para derrubar o seu irmão do poder. Prepara uma armada, com o apoio inglês, para colocar a sua filha no trono, dando início a uma guerra civil que se prolongaria até Maio de 1834. 

Angra do Heroísmo, nos Açores, torna-se, novamente, a capital do reino, por a rainha D. Maria II se ter refugiado nesta cidade, durante estas Guerras Liberais.

Em 1834, D. Miguel I é deposto e expulso de Portugal. Entra em vigor a Carta Constitucional. 


Reinado da 31º Rainha de Portugal
D. Maria II, de 15 anos, assume o governo de um Portugal destroçado pelas guerras.

No entanto, seguiram-se revoltas sociais, tentativas de golpes de Estado, pois os liberais dividiram-se em facções, que lutaram entre si durante todo o reinado de D. Maria II.  

O regime liberal só alcançaria estabilidade em 1851, com o início do período da “Regeneração” - Monarquia Constitucional. D. Maria II seria a primeira rainha constitucional de Portugal.

Em 1869, é abolida a escravatura no Império português.  

O seu segundo marido, o austríaco D. Fernando de Saxe Coburgo-Gotha  adquiriu, com a sua fortuna pessoal, o Mosteiro de São Jerónimo, em ruínas, o iniciou a construção do Palácio da Pena, em 1839.

Em 1846, Almeida de Garrett publica "Viagens na minha terra".


Reinado da 32º Rei de Portugal
D. Pedro V torna-se rei aos 16 anos.

Durante o seu reinado, em 1856, começa-se a usar o telégrafo e são construídos os primeiros caminhos de ferro.


Reinado do 33º Rei de Portugal
D. Luís I  torna-se rei aos 23 anos.

Em 1862, é publicado o "Amor de Perdição" de Camilo Castelo Branco.

A Espanha que passava por um periodo politicamente conturbando, com guerras entre conservadores e liberais, ofereceu o trono a D. Luís I, que recusou, não pretendendo abdicar do trono português, conforme confirma em carta publicada no Diário do Governo e no Diário de Noticias: "Nasci português, português quero morrer", em 1869.

É também durante o seu reinado que decorre, entre 1865 e 1866, a “Questão Coimbrã”, um debate literário entre defensores do romantismo e defensores da literatura realista, liderado por Antero de Quental.

É formado o Partido Republicanoa 25 de Março de 1876.

Em Portugal as primeiras experiências de telefone começaram em 24 de Novembro de 1877, ligando Carcavelos à Central do Cabo em Lisboa.

A 28 de Setembro de 1878, foram acessos os primeiros candeeiros eléctricos, em Cascais, para festejar os 15 anos do príncipe D. Carlos.

Com a intensificação da indústria, as potências europeias precisa, agora, de mais matéria prima, mais mão-de-obra e novos mercados. Com a perda da maioria das colónias americanas, os europeus voltam-se para África.
A conclusão do Canal do Suez, em 1869, facilitou o acesso europeu à África e a competição europeia pela costa africana começa a intensificar-se.  

Para evitar guerras, o chanceler Otto von Bismark (unificador dos reinos alemães) organiza a Conferência de Berlim, que decorre entre 1884 e 1885, para negociar-se A Partilha de África entre as potências europeias, sem que os povos africanos fossem consultados.

Como resultado a África é dividida em 50 colónias, entre a França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Espanha, Portugal e Bélgica. Só a Libéria e a Etiópia eram Estados independentes naquele continente. Portugal fica com Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Tomé e Príncipe.

Várias medidas foram prejudiciais a Portugal, enquanto potência colonial, como a criação do Estado do Congo, sob soberania de Leopoldo II, rei da Bélgica e a livre navegação e comércio nas bacias do Congo e do Níger.

Em 1888, Eça de Queiroz publica "Os Maias". Neste ano nasce Fernando Pessoa.


Transição de século 19 para 20


Reinado do 34º Rei de Portugal
D. Carlos I torna-se rei aos 26 anos.

As ideias republicanas começaram a ganhar cada vez mais força a partir dos finais do séc. 19.

D. Carlos I pretende desenhar novas fronteiras, em África, ligando Angola e Moçambique, chamado de O Mapa Cor-de-Rosa. Mas, a rainha Victoria de Inglaterra, que pretendia construir um caminho-de-ferro, ligando a África do Sul ao Egipto, faz, em 11 de Janeiro de 1890, um ultimato a Portugal, conhecido como o Ultimato Inglês, exigindo que os portugueses retirassem as suas tropas do território em disputa e ameaçando com possível guerra.

Ora, a Inglaterra era a potência dominante da época, o rei D. Carlos, coroado recentemente, protesta, mas não pode fazer mais do que recuar.

A população portuguesa sentiu-se humilhada e revoltou-se em protestos. Os republicanos aproveitaram a situação para apontar a fraqueza da monarquia.

Em 1892, Portugal declara bancarrota. Com a globalização, o reino não resiste à integração no mercado global, de novos países mais competitivos, deixando os produtos portugueses fora dos mercados. O Estado não se consegue financiar,  uma série de bancos que vão à falência. O Estado tenta ajudá-los e agrava ainda mais a situação. Há cortes de salários de funcionários, suspensão de investimentos públicos.

A 1 de Fevereiro de 1908, o rei D. Carlos I é assassinado a tiro, aos 45 anos, juntamente com o seu filho, herdeiro do trono, D. Luís Filipe, no Terreiro do Paço, em Lisboa. 
Os 2 atiradores, membros de movimentos republicanos, envolvidos em sociedades secretas, são mortos no local.

A Maçonaria Portuguesa chegou a Portugal em 1727, pelas mãos de um católico inglês que abriu a primeira loja em Lisboa. Mas só começou a ganhar protagonismo no século 19, com a criação do Grande Oriente Lusitano, onde começaram a agregar-se republicanos, laicos e socialistas.

Esta ordem que tem uma cerimónia de iniciação, ritualista, fraternal e universal, tem a missão de ajudar a construir uma sociedade justa e igualitária e de contribuir para o progresso da humanidade.

Os maçons, palavra que em francês significa pedreiros, ficaram obrigados a manter segredo das suas actividades após terem sido perseguidos por se oporem ao regime absolutista. Historicamente, a maçonaria foi acusada de muitas conspirações e de ser uma organização de elites. O lado secreto não foi tolerado por Salazar que, em 1935, proíbe a maçonaria em Portugal. As reuniões continuaram na clandestinidade.

Reinado do 35º e último Rei de Portugal
O filho mais novo de D. Carlos I, ascende ao trono, D. Manuel II, de 19 anos.

Nesta altura, a monarquia estava em dificuldades. Crises económicas e disputas políticas agravaram a situação. 

Entretanto, desplota a Revolução de 5 de Outubro de 1910 e é proclamada a República, marcando o fim de uma era. 

O rei exila-se com a sua esposa e a sua mãe em Inglaterra, terra natal da sua mãe.


A Primeira República Portuguesa
Após a queda da Monarquia Portuguesa, Teófilo Braga torna-se o primeiro  presidente do Governo provisório do Estado republicano, em 1910. E Manuel de Arriaga seria o primeiro presidente eleito da República Portuguesa, de 1911 a 1915.
Este periodo ficou marcado pelo assassinato a tiro do 4º Presidente da República Portuguesa, Sidónio Pais, na Estação do Rossio, a 14 de Dezembro de 1918, por um activista de esquerda. 
A Primeira república, de 1910 a 1926, enfrentou uma grande instabilidade, com vários golpes de Estado, frequentes mudanças de governo e agitação social. Resumindo: 45 governos em 16 anos.


O Direito ao Voto Feminino
Durante a Primeira República as mulheres recebem o direito ao divórcio mas o direito ao voto continuava negado. A nova lei de 14 de Março de 1911, dizia que eleitores deveriam ser maiores de 21 anos, chefes de família e que soubessem ler e escrever.
As feministas decidiram aproveitar o facto do género não ser referido, requerendo recenseamento, mas é negado. No entanto, a cirurgiã Carolina Beatriz Ângelo não desistiu, uma vez que sendo viuva e tendo uma filha, era chefe de família e sabia ler e escrever. Levou o seu pedido, de pertencer aos cadernos eleitorais, a tribunal. O tribunal deu-lhe razão e no dia 28 de Maio de 1911 exerceu o seu direito de voto. Foi a primeira mulher a votar em Portugal.
Para evitar  que isso voltasse a acontecer, o Governo alterou a lei eleitoral, em 1931, especificando que só homens podiam votar.
Apesar do voto feminino ser permitido a partir de de 1931, só após a Revolução de 25 de Abril de 1975, o voto seria, efectivamente, universal para todas as mulheres.


Primeira Guerra Mundial
Após o assassinato do herdeiro do trono Austro-Húngaro em Junho de 1914, as declarações de guerra sucederam-se. Portugal manteve-se neutro, apesar do envio de forças militares para África, desde 1914, para defesa das colónias contra a ameaça alemã. 

A 9 de Março de 1916, a Alemanha declarava guerra a Portugal na sequência da apreensão, a pedido do Governo britânico, de 70 navios mercantes alemães e austríacos que se encontravam em portos portugueses.
Em Janeiro de 1917 partiram as primeiras tropas para as trincheiras de  Flandres. 

A Guerra afectaria toda a Europa. Em Portugal, o elevado número de mortes tornava a guerra cada vez mais impopular, onde se agravavam dificuldades, como a falta de alimentos, a subida de preços e o desemprego.
A tudo isto juntou-se a gripe pneumónica de 1918, que provocou dezenas de milhares de mortos. 
Multiplicavam-se as greves, os assaltos, a agitação das populações urbanas, dando força aos opositores do governo. O Governo reagiu com perseguições e prisões, diminuindo ainda mais o seus apoios. 
As colónias e a autonomia portuguesa foram asseguradas, mas a Primeira República não resistiria por muito mais tempo.

Em 1917, acontecem as aparições aos pastorinhos de Fátima.

Ditadura militar - 2ª Republica(?) 
Portugal estava à beira da anarquia, quando a 28 de Maio de 1926, um golpe militar instaurou uma ditadura, que mais tarde evoluiu para o Estado Novo, sob o governo de António Salazar. 
O regime nacionalista de Salazar foi marcado pela censura, pelo conservadorismo, pela repressão política e polícia política (PIDE).
Durante este periodo a economia portuguesa estagnou, pela lenta industrialização, o controlo económico exercido por alguns grupos, pela despesa das longas guerras do ultramar,  pela constante emigração e pelo isolamento da comunidade europeia.

As primeiras emissões regulares de rádio iniciaram-se em 1935.

Humberto Delgado, ficou conhecido como "O General Sem Medo" pela sua coragem e luta contra o regime."Que Portugal deixe de ter medo!". Foi o único a candidatar-se à Presidência da República em 1958, afrontando Salazar. Perdeu de forma fraudulenta. Mas continuou a sua luta pela liberdade e é assassinado, a 13 de Fevereiro de 1965, numa emboscada da PIDE, com o nome de código "Operação Outubro".


Segunda Guerra Mundial
Salazar geriu a neutralidade de Portugal de acordo com as necessidades do momento.  
  • Portugal vendeu volfrâmio (um minério importante no fabrico de armas) e outros produtos aos Aliados e à Alemanha nazi; 
  • Circulava em Portugal propagandas Nazi e dos Aliados;
  • Acedeu a utilização da base de Santa Maria, ao Reino Unido, a partir de 1943, e aos EUA a das Lages, a partir de 1944, em troca da libertação da colónia de Timor-Leste, entretanto ocupada pelo Japão; 
  • Salazar comprou seis navios alemães, pois Portugal exportava como nunca, mas estava muito limitada a importação de bens essenciais. Por esta razão, precisava urgentemente de navios para a sua marinha mercante.
  • Permitiu que Aliados, refugiados de Gibraltar, fossem alojados nas ilhas da Madeira.

Portugal não participou directamente na Segunda Guerra Mundial, mas o país foi bastante afectado.

Desde o inicio da guerra que a importação de alimentos tinha-se dificultado. Esta escassez obrigou ao racionamento de bens essenciais.

A importação de combustíveis foi bastante afectada e o transporte marítimo interrompido. Os preços dispararam. A partir do Verão de 1941, a circulação e o abastecimento de automóveis foram proibidos durante três dias por semana, em Portugal.

A situação vai piorando à medida que o conflito avança. Entre 1942 e 1945, o país assistiria ao racionamento de energia elétrica, gás e carvão. Nos meses finais da guerra, um quarto das locomotivas estava parado por falta de combustível.

Com o fim do conflito, os racionamentos foram gradualmente levantados. 

A partir de 1943 até 1946, a agricultura é gravemente afectada pela mais longa seca de que há registo em Portugal continental, reflectindo-se em graves quebras de produção.  Numa economia muito dependente da agricultura, da inicio a uma crise.

Até ao momento, foram identificados cerca de 80 portugueses, refugiados da guerra civil de Espanha ou emigrantes em França, que foram deportados de França para campos de concentração, por ligações ao Partido Comunista francês, ou pelo seu envolvimento na Resistência, ou vítimas de retaliação ou de rusgas.

Em 1949, Egas Moniz é galardoado com o Nobel da Medicina e Fisiologia, pelos seus contributos para a angiografia cerebral e a lobotomia pré-frontal.



NATO/OTAN
Em 1949, Portugal torna-se um dos membros fundadores da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), tendo sido admitido nas Nações Unidas(ONU) em 1955. Nos 20 anos seguintes, as políticas coloniais portuguesas, são duramente criticadas. 

A partir de 1950Portugal começa a ser electrificado em profundidade, com a construção de barragens. Mas a electrificação total de Portugal, que incluía as zonas rurais, só ficaria concluída, nos finais dos anos 80.

Iniciam-se as primeiras emissões de televisão em 1957. 


A Perda dos Territórios Asiáticos
Na madrugada de 18 de Dezembro de 1961, a União Indiana invadiu as possessões portuguesas na India. Em poucas horas Goa, Damão e Diu caíram, obrigando os portugueses a abandonarem esses territórios. Portugal só reconheceria a sua anexação à India depois do 25 de Abril.


Guerra do Ultramar
Ao contrário de outros países europeus, como Reino Unido, França e Bélgica, que já tinham iniciado o processo de descolonização, após a Segunda Guerra Mundial, Salazar insistia em manter o seu império ultramarino, apesar da pressão da ONU.

Inspirados por outras nações africanas recém-independentes e apoiados militarmente e economicamente pelas potências da Guerra Fria, EUA e Rússia, surgem movimentos africanos pela libertação de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.

Entre 1961 a 1974,  uma geração inteira de jovens portugueses são enviados para combater na guerra colonial. Os gastos militares com as longas guerras coloniais esgotaram a economia e provocaram protestos públicos.


Revolução dos Cravos
Revolução de 25 de Abril de 1974, pôs fim a quase meio século de ditadura militar. Um grupo de militares organizaram-se, secretamente, um golpe de Estado e ,em menos de 24 horas, tomaram o poder, de Marcelo Caetano, de forma pacifica, sem derramamento de sangue. Os cravos são o símbolo desta revolução.

Instauração da Democracia - Terceira Republica
Após a revolução, Portugal transita para a democracia. Devolvendo a liberdade aos portugueses, pondo fim a 13 anos de Guerra Colonial e reconhecendo rapidamente a independência das colónias em África: Guiné-Bissau (1974), Cabo Verde (1975), S. Tomé e Príncipe (1975), Moçambique (1975) e Angola (1975).

Mário Soares, símbolo da luta pela democracia, regressa do exílio em França, após ter sido preso 12 vezes e deportado para São Tomé pelo Estado Novo, e torna-se  primeiro-ministro de Portugal, logo, após a revolução. 

A 7 de Março de 1980, o Festival da Canção marcava o arranque da televisão a cores.

O Polémico Caso de Camarate
A 4 de Dezembro de 1980, morre o primeiro-ministro Francisco de Sá Carneiro, na sequência da queda do avião, em Camarate. 
José Esteves, antigo segurança de Sá Carneiro, confessou ter fabricado a bomba que incendiou o avião, mas que o objectivo era só causar um susto e insistiu que foi um atentado encoberto pela Polícia Judiciária, que o perseguiu para que ele dissesse que foi um acidente.

Adesão à CEE
A agitação política, social e económica prolongou-se até 1986, quando o Presidente Ramalho Eanes aderiu à Comunidade Económica Europeia (actual União Europeia), marcando, assim, o início de uma era mais estável, e de crescimento económico, modernização e participação na construção de uma nova Europa. Em 1999, adoptará a nova moeda do EU, o euro.

Independência dos últimos territórios ultramarinos
O Império Português terminou em 1999, quando Macau foi devolvida à China, e oficialmente em 2002, quando Timor-Leste se tornou independente, ambos sob a presidência de Jorge Sampaio.


"O Chiado ardeu em 1988. Lisboa assistiu, em direto e em choque, a uma tragédia que consumiu lojas históricas, palácios pombalinos e símbolos culturais. O país inteiro acompanhou os bombeiros, impotentes diante de chamas que só a genialidade posterior de Álvaro Siza Vieira conseguiu transformar em renascimento(...)".

Entre 22 de Maio e 30 de Setembro de 1998, Portugal celebrou, em Lisboa, a Expo 98, uma exposição internacional, que comemorava os 500 anos dos Descobrimentos Portugueses, mas que, também, tinha como objectivo a sensibilização para a preservação dos oceanos, que ocupam 70% da superfície terrestre. 
Este evento atraiu milhões de visitantes, que contribuiria para desenvolver o turismo em Portugal.



Portugal avança para o século 21.








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