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| Imagem Pixabay |
"(...)Portugal tem a 14.ª maior reserva de ouro do mundo e a sétima maior da Europa Ocidental, superado apenas por Alemanha, Itália, França, Suíça, Países Baixos e Polónia.
Portugal possui 382,66 toneladas de ouro a valer, actualmente, 47 mil milhões de euros.
Cerca de metade desse ouro está guardada num edifício de alta segurança no Carregado, propriedade do Banco de Portugal. A outra metade está depositada em Londres.
Porquê que Portugal continua a acumular ouro?
As reservas de ouro são, sobretudo, um pilar de credibilidade. Quando os investidores analisam um país para avaliar o risco, seja ao conceder crédito, julgar a solidez da moeda ou antecipar riscos políticos, o volume de ouro detido pelo Estado é um factor relevante.
Além disso, o ouro funciona como um mecanismo de protecção em situações de crise monetária ou cambial. Caso o euro sofresse um colapso, os bancos centrais poderiam converter ouro em moeda forte ou utilizá-lo como garantia para obter financiamento.
Qual a origem do ouro português?
Portugal atingiu o máximo de reservas em 1974, com mais de 800 toneladas.
O império português trouxe ouro do Brasil, mas esse ouro não resistiu até ao século 20. Esse ouro desapareceu na construção de infraestruturas do próprio Brasil e colónias africanas, na construção de monumentos nacionais, no financiamento de constantes e longas guerras, e nas várias crises económicas.
Sabe-se, no entanto, que grande parte do ouro acumulado por António de Oliveira Salazar, obcecado com o equilíbrio orçamental, teve origem na Alemanha nazi.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), Portugal declarou neutralidade, mas conseguiu manter relações comerciais com ambos os lados do conflito. Um dos principais produtos estratégicos que Portugal exportou nessa fase foi o volfrâmio, um metal crucial para a indústria bélica por permitir endurecer o aço utilizado em canhões, munições e maquinaria de guerra.
Devido à elevada qualidade e quantidade das suas reservas, Portugal tornou-se um dos principais fornecedores mundiais de volfrâmio, especialmente para a Alemanha nazi, sendo que Salazar exigia que os pagamentos fossem feitos em ouro, para proteger a economia portuguesa.
De acordo com o relatório disponível no site da Secretaria-Geral do Ministério das Finanças, as reservas de ouro do Banco de Portugal eram de 65 toneladas em 1939 e aumentaram para 306 toneladas em 1945. As reservas chegariam às tão referidas 866 toneladas aquando da revolução em Portugal, em 1974.
Ao longo do tempo, a República foi-se desfazendo do ouro, principalmente devido à perda do seu papel monetário. Até 1971, o ouro detido por cada país era a referência para a emissão de moeda, mas a partir dessa data, o metal precioso deixou de ter essa função. A emissão de moeda passou a estar dependente de outros factores, como o Produto Interno Bruto (PIB) do país.
No início deste século, o país tinha quase 600 toneladas de ouro. O então governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, decidiu vender parte da reserva do metal dourado, numa altura em que não se antecipava crise financeira de 2008, a crise das dívidas soberanas, a crise pandémica e todas estas convulsões geopolíticas que conhecemos agora.(...)"
