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História Contemporanea de Portugal - Parte II

Arco do Triunfo da Rua Augusta, Lisboa. Tradução da inscrição em latim " À virtude dos antepassados para ser exemplos para todos".


O Portugal do Séc. 21

  • O Processo Casa Pia
  • A Grande Recessão de 2002-2003
  • Crise Financeira Internacional 2008-2009
  • A Austeridade da Troika (Crise económica 2011 a 2014)
  • A Explosão do Turismo
  • Pandemia Covid- 2019 a 2020
  • Crise Inflacionista - Guerra na Ucrânia


O Escândalo de Pedofilia do Orfanato Casa Pia 

O século 21 começa com denúncias, dos meios de comunicação, em 2002, de abusos sexuais contra menores acolhidos na Casa Pia de Lisboa, uma instituição pública, criada com a finalidade de proteger crianças vulneráveis.

Tratava-se de uma rede organizada de pedofilia que, desde 1960, levava as crianças aos cuidados do orfanato, para serem abusadas por pedófilos portugueses e estrangeiros, entre eles figuras públicas de Portugal, como políticos. O julgamento começou em 2004 e prolongou-se até 2010. Muitos suspeitos não foram condenados por falta de provas.

Durante o período dos abusos, cerca de 4 mil crianças passaram pelas escolas e orfanatos da instituição. As crianças abusadas sexualmente tinham entre 10 e 13 anos de idade.


A Grande Recessão(1) de 2002-2003 

No inicio de 1999, Portugal adere à moeda única da União Europeia, o euro.  Aumenta o investimento e o consumo. 

Nos anos seguintes aumentou o crédito bancário com a forte redução das taxas de juro. Que fizeram disparar o endividamento das famílias com a compra de casa e automóveis. 

No Estado, a folga orçamental gerada pela redução dos encargos com a dívida pública foi utilizada, em grande parte, para aumentar a despesa pública.

Este período de crescimento levou ao pico da actividade económica.

No entanto, ao aderir ao Euro, o país ficou sujeito a novas regras orçamentais que limitavam o défice orçamental a 3% do PIB(2), definido pelas instituições europeias.
PIB cai 2,9%.

António Guterres demite-se em Dezembro de 2001, na sequência dos resultados das eleições autárquicas.

Em Abril de 2002, o novo Governo de Durão Barroso, inicia uma política orçamental restritiva para voltar a colocar o défice orçamental abaixo dos 3%, depois da violação do limite europeu no ano anterior.

Foi cortado o investimento público e colocou-se um travão no crescimento da despesa pública. 
O consumo privado também encolheu, na sequência da desconfiança na economia, ajudando a aprofundar a sua queda. A taxa de desemprego subiu rapidamente.

Três anos depois, foi a vez de Sócrates avançar com uma nova carga até 2008.  Em 2009, o défice era de 9,4%.
A baixa produtividade do país e a falta de preparação para a integração da zona Euro demoraram a  recuperação do país.

Quando a vitória estava já a ser celebrada, Portugal é atingido por uma nova crise, mas, agora, exterior. 


Crise Financeira Global 2008-2009

A crise imobiliária que teve origem nos EUA, em 2007 e cuja economia atingiu o seu ponto mais crítico em 2008, com a falência de um dos principais bancos do país, o Lehman Brothers, arrastando as bolsas de todo o mundo.

Os Estados Unidos eram o motor da economia internacional e quando algo grave acontece nesse mercado, o mundo ressente-se.

Assim, a crise norte-americana estendeu-se à economia mundial, atingindo rapidamente Portugal. 

Portugal, que já se debatia com a estagnação do crescimento económico e com a queda do emprego desde o início do século, foi rapidamente atingido nas suas exportações e no crédito bancário. À crise económica seguiu-se uma crise das dívidas soberanas europeias, levando ao resgate de vários países, incluindo Portugal.

Em 2111, a dívida pública de Portugal ultrapassa os 90% do PIB. 

Nesse mesmo ano, o primeiro-ministro José Sócrates pede ajuda à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Portugal recebeu um empréstimo de 78 bilhões de euros, divididos entre o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional — conhecidos como “Troika”.

Mas, em troca a Troika exigia juros entre 3,25% e 6% e austeridade dos portugueses. O país ainda não sabia o que realmente lhe estava reservado..a mais grave crise do pós-Segunda Guerra Mundial.


Recessão de Austeridade

Entre 2011 e 2014, o governo do, então, primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, fez cortes drásticos nos gastos com saúde, educação, pensões e aumenta bastante os impostos. Mas o salário mínimo não aumenta e os do sector público são, igualmente, congelados. De forma a conseguir pagar o empréstimo da Troika. 

A palavra troika vulgarizou-se na vida dos portugueses. O desemprego cresceu e a emigração aumentou.

Em Maio de 2014, Portugal terminou o pagamento aos seus credores, e voltou a crescer economicamente. A economia do país começou a recuperar-se, e as taxas de desemprego começaram a descer.

Quando Antonio Costa tomou posse como primeiro-ministro de Portugal em 2015, colocou-se um fim ao período de forte austeridade. Entre as suas medidas, o corte de salários ao sector público foi revertido, as férias e o aumento de impostos. Além disso, aumentou o salário mínimo em 20% por 2 anos.

Na época, o défice orçamentário atingia 4,3% do PIB, ainda acima dos 2,7% acordados com a União Europeia. Por isso, o bloco europeu quase multou Portugal, mas, em 2016, concedeu-lhe um adiamento por um ano para que o país cumprisse o acordo. 

Só em 2018, a economia teria superado definitivamente as duas crises consecutivas que enfrentou. 

Porém,  após o crescimento de 2019 (2,5%), a pandemia chegou e afectou a economia outra vez.


Campeões de Futebol da Europa 

Depois da derrota, em casa, pela Grécia, em 2004, que deixou os portugueses desolados com o segundo lugar. Portugal é, pela primeira vez, campeão da Europa, em 2016, frente à França, anfitriã do campeonato de futebol da UEFA. Esta vitória festejada efusivamente por todo o país, onde o futebol é o desporto rei.


Vencedor da Eurovisão

Em 2017, Portugal vence, pela primeira vez, o Festival Eurovisão da Canção, com a canção "Amar pelos Dois", interpretada por Salvador Sobral, 61 anos, após a primeira participação portuguesa.


O Boom do Turismo em Portugal

Desde a Expo 98 que Portugal tem vindo a promover-se fortemente ao mundo e o turismo no país tem vindo a crescer bastante desde 2018.

Em 2026, Portugal é um dos destinos turísticos mais procurados na Europa. Pelo seu sol, paisagens, gastronomia, hospitalidade, herança cultural e património histórico.

Tendo-se tornado um dos sectores que mais contribuem para a economia nacional. Criou novas empresas, empregos e valorizou os territórios portugueses.

No entanto, o aumento do turismo tem subido os preços em Portugal, de hotéis, de restaurantes, do comércio, de alimentos, habitação..tornando mais caro e difícil para os portugueses viverem no seu próprio pais ou fazerem, mesmo, férias em Portugal. 
Os salários portugueses não conseguem competir com outros salários europeus muito mais elevados, como os da França ou Alemanha.


A Pandemia do Covid 2020-2022

A 2 de Março de 2020, confirmavam-se, em Portugal, os primeiros dois casos de infecção de novo coronavírus, originário da China. Apenas nove dias depois, a Organização Mundial da Saúde declarava que o mundo enfrentava uma pandemia.

A 18 de Março, era declarado o Estado de Emergência e os portugueses fechavam-se em casa - o Governo decreta o confinamento obrigatório e a restrição de circulação na via pública, com o objectivo de tentar travar o avanço do número de pessoas contaminadas. O Teletrabalho torna-se obrigatório.

Mais de 3 milhões de pessoas foram infectadas e aproximadamente 21.000 portugueses morreram. 

A economia parou e Portugal viveu uma das mais severas crises económicas, mas  assim que se a epidemia começou a ser controlada, em 2022, a economia começou a recuperar.


A crise inflacionista

A guerra entre a a Rússia e a Ucrânia, que começou em 2022, veio a agravar a situação que já vinha da pandemia, desacelerou a recuperação global da economia e aumenta ainda mais a inflação em todo o mundo, com a ruptura de abastecimento, que nos conduziu à maior crise inflacionista dos últimos 30 anos. 

  • A Rússia e a Ucrânia são dois dos maiores fornecedores de cereais a nível mundial. O trigo já aumentou 30%.
  • A Ucrânia é o maior exportador mundial de óleo de girassol, o que leva à sua escassez e subida de preço.
  • O milho importado da Ucrânia usado nas rações para animais, está, igualmente, mais escasso e por isso o seu preço mais elevado. Aumentado os preços de vários produtos de origem animal, como por exemplo, o leite, a carne e os ovos.
  • O aumento do preço da electricidade e do gás natural está relacionado com a volatilidade dos mercados e com a incerteza no que concerne ao abastecimento.
  • Cerca de 27% do petróleo consumido na Europa é importado da Rússia. Este conflito tem feito disparar o preço dos combustíveis.
  • Com o aumento da gasolina e do gasóleo todo o sector dos transportes acaba igualmente por ser afectado, como os aviões.
  • Aumento das taxas Euribor no crédito à habitação, traduzindo-se num aumento significativo no valor a pagar pelas prestações da casa.

O aumento das taxas de juro pelo Banco Central Europeu em resposta à subida da inflação, juntamente com a subida dos preços no supermercado, agravou os custos de vida das famílias portuguesas.

O impacto da inflação é a perda de poder de compra. Os preços sobem e o salário já não chega para comprar o mesmo que dava antes da inflação (subida de preços).

Como a população tem agora menos poder de consumo, isso tem impacto nas empresas. Como no fabricantes de produtos, que já enfrentam custos acrescidos com a subida da energia e o aumento do preço das matérias-primas, agora, passa a vender menos. Se a receita desce, e a despesa aumenta, em breve poderá ter de reduzir a produção ou fazer despedimentos.

Havendo mais desemprego, mais o consumo desce. A economia deixa de crescer.

Desde o inicio do século 21, Portugal já passou por 5 crises económicas.

Desafios de Portugal em 2026

Actualmente, o país também enfrenta desafios, como baixa natalidade, emigração jovem, desertificação do interior rural, elevada desigualdade económica e social, sistema de saúde sobrecarregado, sistema de assistência deficiente à terceira idade e crianças, imigração descontrolada, outros.


As Economias Emergentes do séc .21

A Ásia deixou de ser o fabricante de baixo custo subcontratado da Europa e dos Estados Unidos.

Em 2015, a China já estava fortemente industrializada e a sua economia em rápido crescimento, mas a qualidade dos seus produtos era questionável, quando comparada aos equivalentes americanos ou europeus. No entanto, a China começou a tirar partido das novas tecnologias e a dominar a produção mundial.

Alcançando, actualmente, o lugar de segunda maior economia do mundo, depois dos EUA Mas outras economias estão a emergir, como a Índia, o Brasil e o México.

A Europa Ocidental tornou-se a potência económica dominante depois da expansão marítima, a revolução industrial e a exploração colonial. 

No entanto, as grandes nações da Europa ocidental enfraqueceram economicamente, industrialmente e politicamente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), pois o conflito devastou diversos países. O que possibilitou aos EUA emergirem como a grande potência mundial, financiando a Europa a reconstruir-se e abastecendo-a com os seus produtos industrializados. 

A partir de 1990, os EUA dominariam o mundo, tornando-se lideres em tecnologia, inovação, poder militar e difundindo culturalmente o seu país, através da exportação em massa dos seus  produtos.

O aumento chocante das tarifas de importação do presidente norte-americano Donald Trump, de 2025, violou acordos internacionais e fizeram o dólar desabar.

O dólar mais fraco reduz o poder de compra dos norte-americanos. E se esta tendência continuar, poderá alimentar a inflação interna nos Estados Unidos.

Os mercados de acções dos EUA estão a vacilar e o dólar está a enfraquecer  e os investidores começam a vender os EUA. 

Estará a economia dos EUA  perto de uma recessão iminente?

Actualmente, os EUA e a Europa Ocidental estão a ser ultrapassados pelos seus "fornecedores de matérias-primas", que evoluíram pela forte industrialização, modernização da tecnologia, grande massa populacional consumidora e grande massa de mão-de-obra jovem.  Estes países estão sendo impulsionados pela globalização e a integração comercial do mundo.

Em 2025, as 10 maiores potências mundiais: 

  1. EUA
  2. China
  3. Alemanha
  4. Japão
  5. India
  6. Reino Unido
  7. França
  8. Itália
  9. Rússia
  10. Canadá


Glossário

Recessão (1) - As recessões são períodos em que a produção de um país e o rendimento das pessoas diminui.O ritmo de saída de uma crise económica é uma forma de medição, para perceber a robustez da economia de um país.

PIB (2) - Produto Interno Bruto, ou seja, riqueza gerada por habitante.




Análise

Será realmente Portugal um país em que os políticos são todos iguais, que o voto é irrelevante e que os ricos ficam sempre a ganhar?

A realidade é que os portugueses já não confiam nos políticos e cada vez votam menos e isso enfraquece a democracia
Não porque as pessoas não se interessem por política, mas porque governo após governo, o custo de vida continua a aumentar, sem que os valores dos salários acompanhem e os portugueses não vêm a sua situação melhorar.  Não passam de promessas para eleições políticas...

Como é possível, em 2026, um casal viver em Lisboa com 1 filho, recebendo 920 euros de salário mínimo e pagando 1500 euros por um T2? Quanto sobra para comer? Quantas despesas mais existem para pagar?

E os solteiros? Onde vivem? Como se alimentam? Como pagam água e luz? Como se vestem? Como pagam a prestação do carro? Parece que os solteiros lisboetas têm que continuar a viver com os pais ou, então, alugar um quarto a 800 euros!

A classe média, o mercado consumidor, está a ser asfixiada.            

Os nossos políticos, que provêm de famílias da Alta Burguesia, não conseguem fazer contas com tão poucos zeros. Pois, enquanto adolescentes e adultos, nunca tiveram que contar tostões para pagar casa ou carro. E por isso não se conseguem empatizar com a realidade dos mais pobres.

Então, ouve-se dizer: "Só é pobre, quem não quer trabalhar". Deve ser anedota de riquinhos!...

Será que o pobre precisa ter 2 ter empregos? Trabalhar 80 horas por semana? Para receber 2 salários mínimos e poder ter dinheiro suficiente para pagar todas as contas?!

Portugal deveria direcionar um maior valor da sua carga fiscal para o investimento em educação e no apoio às famílias. Como o fazem países nórdicos. Melhorando a qualidade de vida das famílias portuguesas e possibilitando aos seus filhos poder estudar e melhorar a sua vida futuramente. Contribuindo para um Portugal mais qualificado e menos pobre.

E é urgente tornar a política mais transparente, responsabilizar os políticos pelas suas más decisões e cumprir as promessas, para que os portugueses voltem a confiar nos políticos.

Afinal, são as soluções da governação e as políticas que adoptam que decidem o rumo da economia portuguesa e o destino dos portugueses.








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