Principais Acontecimentos da Idade Medieval em Portugal
- Invasão e ocupação Visigótica (séc. 6)
- Invasão e ocupação Árabe (séc 8)
- Inicio da Reconquista da Península Ibérica (séc. 8)
- Fundação do Condado Portucalense (séc. 9)
- Doação do Condado Portucalense a D. Henrique de Borgonha (séc. 11)
- Fundação do Reino de Portugal - Dinastia Afonsina (séc. 12)
- Independência do Reino de Leão - Tratado de Zamora (séc. 12)
- Conquista das últimas regiões a sul (séc. 13)
- Transição para a Dinastia de Avis (séc. 14)
- Peste Negra (séc. 14)
- Conquista de territórios no Norte de África (séc. 15)
- Descoberta das ilhas da Madeira e Açores (séc. 15)
- Conquistas Marítimas - Cabo Bojador e Cabo das Tormentas (séc. 15)
- Feudalismo português? (séc. 12 a 15)
A Idade Média teve a duração de 1000 anos (séc. 5 a 15), o Reino de Portugal foi fundado no séc.12. Estamos, portanto, a falar de 300 anos de época medieval portuguesa, que foi marcada por muitas guerras: as guerras da reconquista aos mouros(1), as guerras da Independência do Reino de Leão e guerras por territórios com o Reino de Castela.
No Inicio da Idade Média, século 5, a região que é, hoje, Portugal estava sob domínio do Império Romano, mas é invadida por povos germânicos, como os Suevos e os Vândalos, em 415 d.C.
Em 585 d.C, outro povo germânico, os Visígodos, tomam a região. Formam o Reino Visigótico e governam-no durante aprox. 200 anos, até à invasão muçulmana, em 711d.C.
Mas, muitos Visigódos, juntamente com os povos Ibéricos, resistem no norte montanhoso das Astúrias e Pirinéus e iniciam as Guerras da Reconquista, em 718, com a vitória da Batalha de Covadonga.
Formação do Condado Portucalense
Durante a reconquista são formados novos reinos cristãos: Reino das Astúrias e Galiza, Reino de Leão e Reino de Pamplona (posterior Reino de Navarra).
Também são formados condados(2) como o Condado de Castela (vassalo de Leão), o Condado de Aragão (vassalo do Reino Franco Carolíngio), o Condado da Catalunha (vassalo do Reino Franco Carolíngio), o Condado de Portucale, (pertencente ao Reino de Galiza e vassalo de Leão), entre outros.
O Condado de Portucale terá sido fundado pelo nobre D. Vimara Perez (possivelmente galego).
Os mouros recebiam constantes reforços militares do Norte de África e com o seu avanço, os reis ibéricos pedem ajuda aos cristãos europeus, que vêm acudir de várias partes da Europa, motivados pela fé cristã, mas, também, aliciados por recompensas de terras e títulos.
Chegam, também cavaleiros como os Cruzados e Templários, de ordens religiosas e militares enviadas pelo Papa.
Entre esses cavaleiros nobres, vem em auxilio D. Henrique de Borgonha, filho do duque D. Henrique de Borgonha e bisneto do rei Roberto II, do Reino Franco (actual França) e o seu primo D. Raimundo, que lutam com bravura e ajudam a reconquistar territórios no Norte de Portugal.
Ambos são recompensados. D. Henrique recebe, em 1096, do rei D. Afonso IV, do Reino de Leão, casamento com a sua filha ilegítima, D. Teresa, e o Condado Portucalense.
D. Henrique governa, sob vassalagem ao rei de Leão, o condado(3), defendendo-o dos mouros e expandido-o até à linha do Tejo.
Fundação de Portugal e Primeiro Rei de Portugal - Séc. 12
Por volta de 1114, o conde D. Henrique de Borgonha morre e a sua mulher D. Teresa toma o poder do condado, dado que o filho, D. Afonso Henriques, tinha apenas 3 anos.
No entanto, a relação da rainha D. Teresa com o Conde galego D. Fernando Pérez de Trava e a crescente influência política galega no Condado não agradava à nobreza portucalense, que temia pela perda de autonomia do condado.
Entretanto, criado pelo nobre de elite, D. Egas de Moniz de Ribadouro, o agora, jovem de 19 anos, D. Afonso Henriques, apoiado pela nobreza, enfrenta e derrota o exército da sua mãe, a 24 de Junho de 1128, na Batalha de S. Mamede, em Guimarães, assumindo o controlo do condado.
Em 1131, transfere a Corte de Guimarães para Coimbra.
Porém, D. Afonso Henriques tinha objectivos mais ambiciosos, como a total independência do Condado do Reino de Leão e o alargamento do território a sul, aos muçulmanos.
A 25 de Julho de 1139, vence a Batalha de Ourique contra os mouros e é aclamado rei do Reino de Portugal.
Após várias batalhas com o Reino de Leão, que entretanto se havia unido a Castela, é assinado, a 5 de Outubro de 1143, o Tratado de Zamora, no qual o seu primo, o rei D. Afonso VII de Castela e Leão, aceita-o como rei de Portugal, com a condição deste lhe prestar vassalagem como imperador da Hispania. Apesar do compromisso, D. Afonso Henriques nunca cumpriu a sua parte do Tratado.
Cinco anos antes a morte de D. Afonso Henriques, em 1179, o Papa Alexandre III, reconheceria, finalmente, a independência do Reino de Portugal, através da Bula Manifestis Probatum. Ficando D. Afonso Henriques e toda a sua descendência comprometida a prestar vassalagem ao Papa e a pagar um tributo anual.
Durante o seu reinado, D. Afonso Henriques, O Conquistador, recuperou aos mouros mais territórios que qualquer outro rei da Península Ibérica: Tomar(1129), Leiria (1137), Santarém (1147), Lisboa (1147), Almada (1147), Palmela (1147), Alcácer do Sal (1158), Beja (1159), Évora (1159), Évoramonte(1166), Serpa(1169), Moura, entre outros.
Como forma de reinforçar a religião cristã, o século 12 é um auge da construção de igrejas e mosteiros. Após a Conquista de Lisboa aos mouros, durante a Segunda Cruzada, em 25 de Outubro de 1147, D. Afonso Henriques ordenou, nesse mesmo ano, a construção da mais antiga igreja de Lisboa, a Igreja da Sé, em estilo românico, e, é, também, iniciada a construção do gótico Mosteiro de Alcobaça, em 1178, após a vitória de Santarém, que ficaria concluído 100 anos depois.
A Ordem dos Templários, cuja fundação remonta a 1118, no Reino Franco, foram uma importante força militar nas guerras religiosas contra os mouros. Os Templários chegaram ao reino de Portugal, em 1128, e ajudaram a conquistar a estratégica cidade de Santarém dos mouros, assim como muitos outros territórios lusos, que receberam como doações, para que os protegessem e promovessem o seu povoamento, regiões essas no sul de Coimbra, Santarém, Vale do Zêzere e por toda a Beira Baixa.
Estabeleceram a sua primeira sede no Castelo de Soure, que viria a ser transferida para um novo local estratégico, Tomar.
Foi, então, em Tomar, que o Grão-Mestre Gualdim Pais, fundador da Ordem dos Templários em Portugal, ordenou a construção do Castelo de Tomar, em 1160, inovando a arquitectura militar, no reino português.
Mas foram criadas, também, ordens religiosas e militares ibéricas para combater os árabes muçulmanos, como a portuguesa Ordem Militar de São Bento de Avis, que D. Afonso Henriques teria fundado, no século 12, para a defesa de Évora aos muçulmanos. Por volta de 1364, o rei D. Pedro I de Portugal entrega o mestrado da ordem ao seu filho ilegítimo D. João, que viria a ser rei de Portugal, em 1385.
As Guerras da Reconquista do território português terminou no reinado do quinto rei de Portugal, D. Afonso III, em 1249 (séc.13), com a conquista das últimas regiões algarvias aos mouros: Faro, Albufeira, Porches e Silves. Formando o actual Portugal continental.
110 anos depois da fundação de Portugal e 64 anos depois da morte do primeiro rei.
As guerras com os vizinhos reinos espanhóis, continuariam de forma intermitente até á Idade Contemporânea, com períodos de tratados de paz e casamentos reais.
Reinado do Segundo Rei de Portugal - Séc. 12
D.Sancho I começou a ajudar o pai a reinar Portugal, aos 27 anos, pois o rei D. Afonso Henriques já estava muito doente.
Portugal tornara-se um reino autónomo, em 1139, mas a sua independência ainda não estava totalmente consolidada. Os reis de Leão e Castela queriam reconquistar Portugal e a Igreja demorou a apoiar plenamente a sua independência.
Por isso, o rei D. Afonso Henriques procurou aliados. Por esta altura, a Península Ibérica dividia-se em cinco reinos: Portugal, Leão, Castela, Navarra e Aragão.
As Coroas de Portugal e Aragão acordaram em lutar juntos contra o reino de Castela e Leão, que se haviam unido em 1143 até 1157. E para fortalecer este acordo, D. Sancho I casou com D. Dulce, em 1174, a irmã mais nova do rei D. Afonso II, de Aragão.
O reinado de D. Sancho I foi marcado pelo repovoamento das áreas reconquistadas, através da fundação de muitos concelhos(3), com cartas forais(4).
Durante a Terceira Cruzada, D Sancho I captura Silves, em 1189, mas após nova invasão árabe, de 1191, perde Silves, assim como Alcácer, Palmela e Almada.
Em 1195, nasce em Lisboa, Fernando, que se juntaria à Ordem dos Franciscanos e, mais tarde, se tornaria num dos mais venerados santos, o Santo António.
O Bispo do Porto, recusa-se a aceitar o casamento do filho de D. Sancho I, e futuro rei de Portugal, D. Afonso com D. Urraca, devido a consanguinidade (primos em 5º grau).
D. Sancho I deixa de pagar censos à Igreja, a partir de 1208, e é excomungado pelo Papa, mas pouco antes de morrer, em 1211, aceita as exigências do Papa.
Reinado do Terceiro Rei de Portugal - Séc. 13
D. Afonso II Iniciou o seu reinado aos 26 anos e casa com D. Urraca de Castela, a filha do rei de Castela.
Durante a Quinta Cruzada, D. Afonso II recuperou, aos mouros, Alcácer do Sal e foram, também, tomadas Borba, Vila Viçosa e Veiros, sob liderança do Bispo de Lisboa.
O rei de Leão e Castela convoca a união de todos os reinados da Península para lutarem juntos contra o poderoso exército muçulmano. D. Afonso II enviou um exército português para lutar ao lado dos cavaleiros do reino de Aragão, Navarra, Castela e Leão. O Papa enviou, também, cavaleiros das Ordens de Calatrava, Hospitalários, Santiago e Templários.
Os ibéricos sairam vitoriosos da importante Batalha de Navas de Tolosa, de 16 de Julho de 1212, que foi celebrada por toda a Península Ibérica, como O Grande Triunfo da Cristandade sobre o Islão.
A tentativa de D. Afonso II de recuperar terras que os seus antecessores haviam entregue à Igreja (as Inquirições), originou a sua excomunhão, pelo Papa Honório III.
Reinado do Quarto rei de Portugal - Séc. 13
Quando D. Sancho II subiu ao trono, aos 21 anos, em 1223, Portugal enfrentava problemas com a Igreja Católica. O seu pai, o rei D. Afonso II, tinha tentado reduzir o poder da Igreja e por isso havia sido excomungado.
D. Sancho II assinou um tratado com o Papa para resolver a situação, não dando muita importância, pois estava focado na Reconquista. Onde obteve grande sucesso, conquistando todo o Alentejo e algumas partes do Algarve.
Como D. Sancho II concentrava toda a sua atenção nas guerras, isso deixou o país vulnerável a constantes conflitos, em que o rei não intervinha para os resolver.
A sua fraca habilidade administrativa e política deixou os poderosos nobres, descontentes com a forma como o rei governava e começaram a conspirar contra ele.
Entretanto, o bispo do Porto queixou-se ao Papa, pois no século 13, a Igreja era muito poderosa. Assim, o Papa Inocêncio IV emitiu uma ordem especial, em que ordenava ao povo português escolher um novo rei.
Em 1246, alguns nobres convidaram o seu irmão, D. Afonso III, que se havia tornado Conde de Bolonha, por casamento, mas que rapidamente renunciou às suas terras francesas e veio para Portugal para depor o irmão.
Instaura-se uma guerra civil no final de 1245 que durou até meados de 1247. D. Sancho II é derrotado e teve de fugir e exilar-se em Toledo, Espanha, onde morre em 1248.
Reinado do Quinto Rei de Portugal - Séc. 13
D. Afonso III tornou-se rei, em 1248, aos 38 anos, une o reino dividido e completa a conquista do Algarve, formando o actual Portugal continental.
Derrotados, a maior parte dos muçulmanos fogem para Espanha ou Marrocos, que continuaria para Granada, até ao século 15.
Em 1254, realizou a primeira grande assembleia, as Cortes de Leiria, nas quais foram convocados pela primeira vez, em Portugal, os representantes das cidades do Povo. Aboliu, também, as prisões sem a aprovação de um juiz.
Em 1255, Lisboa passa a capital do reino, substituindo Coimbra.
Em 1269, os primeiros monges do Mosteiro de Alcobaça, abrem a primeira escola pública.
Entretanto, o Reino de Castela que acreditava que as terras recém-adquiridas no Algarve deveriam pertencer-lhe, inicia guerra com Portugal.
Finalmente, em 1267, foi assinado o Tratado de Badajoz, que estabeleceu a fronteira sul entre Castela e Portugal, que se mantém até aos dias de hoje. Trazendo paz e estabilidade à região.
Reinado do Sexto Rei de Portugal - Séc. 13
D. Dinis recebeu o trono português aos 18 anos e ficou conhecido como o Rei-Poeta devido à sua obra literária trovadoresca.
Em 1290, tornou o português a língua oficial do reino, substituindo o latim. Este foi um grande passo para a criar a identidade nacional. Ordenou, também, a construção da primeira universidade em Portugal, chamada Estudo Geral, que ministrava cursos de artes, direito e medicina.
A 20 de Setembro de 1276, o português Pedro Hispano, é coroado Papa João XXI. Foi o 187º Papa, um dos mais cultos e o único Papa português da Igreja Católica, até ao momento.
Após várias guerras pela disputa de territórios, D. Dinis e o D. Fernando IV, rei de Castela, assinam o Tratado de Alcanizes, a 12 de Setembro de 1297, que definiria a fronteira mais antiga da Europa, à mais de 700 anos.
Para selar este tratado de paz e formar aliança política, o filho de D. Dinis e futuro rei de Portugal, D. Afonso IV, casaria com D. Beatriz, irmã do rei de Castela, e D. Constança, filha de D. Dinis, casaria com com o rei D. Fernando IV, de Castela.
D. Dinis Incentivou a economia portuguesa criando novas cidades e feiras comerciais regulares.
Fundou escolas agrícolas e ajudou a aumentar as exportações agrícolas para Inglaterra, Flandres e França. Em 1308, assinou o primeiro acordo comercial entre Portugal e Inglaterra.
Em 1312 fundou a marinha Portuguesa e ordenou a construção de várias docas.
O Rei D. Dinis preocupava-se, também, com os recursos de Portugal e incentivou a procura e o uso de minerais como o enxofre, a prata, o estanho e o ferro.
Quando os Cavaleiros Templários foram dissolvidos na Europa, D. Dinis criou uma nova ordem militar portuguesa em 1319: a Ordem de Cristo, para dar continuidade ao trabalho dos Templários em Portugal, sem sofrer represálias da Igreja.
Reinado do Sétimo Rei de Portugal - Séc. 14
D. Afonso IV tornou-se rei aos 34 anos.
Em Outubro de 1340, as tropas portuguesas uniram-se às tropas castelhanas de Castela na Batalha do Salado contra a aliança moura, que ocorreu na província de Cadiz (sul de Espanha). Apesar da inferioridade numérica, as forças cristãs obtiveram uma vitória esmagadora. A Batalha do Salado foi decisiva para o avanço para sul dos reinos cristãos.
D. Afonso IV apoiou fortemente a Marinha Portuguesa, financiando a construção de uma poderosa frota mercante e as primeiras explorações marítimas portuguesas.
A Peste Negra assolou Portugal no séc. 14, principalmente entre 1348 e 1349, que dizimou parte importante da população.
As populações dos campos e pequenas localidades migram para as cidades, aumentando o número de habitantes, piorando as condições de higiene, criando desemprego e estagnação económica.
Em 1349, D. Afonso IV implementa as primeiras Leis Laborais para promover a fixação de trabalhadores rurais. Pois a desertificação dos campos, fez disparar os preços da mão-de-obra, reduziu a produção agrícola e gerou períodos de fome.
Nas cidades, o comércio começa a desenvolver e nasce a classe média (comerciantes, artesãos, antigos proprietários de pequenas terras, outros) donde viria a nova classe social, a Burguesia - que começa a empregar trabalhadores e a acumular capitais.
A contaminação inicial da Peste Negra deverá ter acontecido através das embarcações que chegavam aos portos portugueses mais movimentos, como Lisboa e Porto, transportando ratos com pulgas contaminadas, da Ásia.
Só com a quarentena, as vitimas de peste viriam a diminuir, mas a "Morte Negra" reapareceria em vários períodos da história portuguesa e continuaria a levar milhares de vidas.
Reinado do Oitavo Rei de Portugal - Séc. 14
O rei D. Pedro I ficou famoso pela trágica história de amor com uma das damas de companhia da sua esposa, D. Inês de Castro, filha ilegítima de um fidalgo galego, história relatado por Camões no Canto III, estrofe 118, de Os Lusíadas.
Devido a este caso amoroso, D. Inês é exilada em Castela, em 1344. Mas, quando a sua esposa D. Constança morre a 1349, D. Pedro, supostamente, casa em segredo com D. Inês, sua prima em 3º grau, passam a viver juntos e têm 4 filhos.
O seu pai, o rei D. Afonso IV receando que o filho primogénito de D. Inês quisesse reclamar o trono e colocar em causa a independência de Portugal, ordena matar Inês, que, após breve julgamento, é degolada a 7 de Janeiro de 1355, durante a ausência de D. Pedro I.
No seu regresso D. Pedro reage com violência e inicia um período de guerra civil contra o rei, seu pai, que devastou o norte de Portugal e só terminaria com a intervenção da rainha, sua mãe.
Após se tornar rei, aos 37 anos, D. Pedro I coroa, mesmo morta, Inês como rainha de Portugal, em 1360. E exige que todas as classes sociais lhe prestem homenagem.
O novo rei persegue os executantes de D. Inês, que tinham fugido para Castela.
D. Pedro I realiza um julgamento público para dois dos executantes de Inês, os fidalgos D. Pêro Coelho e D. Álvaro Gonçalves. Após os declarar culpados, segundo a lenda, ordena arrancar o coração de um pelo peito e o do outro, pelas costas. O terceiro, D. Diogo Lopes Pacheco, conseguiu escapar para a França.
D Pedro I mandou construir dois túmulos esculpidos em arte gótica, no Mosteiro de Alcobaça, um para si e outro para onde trasladou os restos de sua amada Inês.
"Juntou-se a Inês em 1367 e os restos de ambos jazem juntos até hoje, frente a frente, para que, segundo a lenda "possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final".
Reinado do Nono Rei de Portugal - Séc. 14
D. Fernando I, filho de D. Pedro I e D. Constança, tornou-se rei aos 22 anos.
Durante o seu reinando, D. Fernando I promulgou a Lei das Sesmarias, em 1375, de forma a aumentar a produção agrícola, diminuir o despovoamento rural e combater a crise económica que ocorria há algumas décadas por toda a Europa e que a peste negra agravou. Apoiou, também, o desenvolvimento da Marinha como forma de incentivar o comércio externo.
O reino de Castela enfrentava uma guerra de sucessão ao trono e D. Fernando como bisneto do anterior rei de Castela, D. Sancho IV, envolve-se nesta guerra.
Em 1371, foi assinado o Tratado de paz de Alcoutim e estipulado que D. Fernando I, casaria com uma filha de D. Henrique II, de Castela. Mas este não cumpriu a palavra dada, e casa, em 1372, com D. Leonor de Teles.
Surgiu nesta altura o duque de Lencastre, um dos filhos do rei inglês, com pretensões ao trono de Castela e procura o apoio de D. Fernando I. Este alia-se ao duque inglês, sob o Tratado de Tagilde de Julho de 1372. O que levou D. Henrique II, de Castela, a invadir Lisboa, em Fevereiro de 1373.
Sob perigo de Lisboa cair nas mãos dos castelhanos, o monarca D. Fernando I é obrigado a assinar novo tratado de paz com Castela, em Março de 1373,
Em pleno Cisma do Ocidente (1378-1417) o rei português apoia, ao lado de Inglaterra, o Papa de Roma, mas Castela apoiava, juntamente com a França, o Papa de Avinhão. Reiniciando as hostilidades com Castela. Para por termo à Terceira Guerra com Castela é assinada a paz de Elvas, em 1382, ficando acordado o casamento da herdeira do trono de Portugal, a infanta D. Beatriz, com o rei D. João I de Castela, celebrado em 1383. No mesmo ano, foi assinado o Tratado de Salvaterra de Magos que refere que um filho do casal sucederá no trono do reino de Portugal caso D. Fernando não venha a ter um filho varão.
Em Outubro desse ano, D. Fernando morre sem deixar descendência varão para herdar o trono. Isto significou o fim da linha direta da Casa de Borgonha, que governava Portugal desde cerca de 1112.
Os acordos do tratado são ignorados e o meio-irmão do falecido rei português, D. João I, Mestre da Ordem de Avis, reivindica o trono. Isto levou a um período de guerra com Castela e incerteza política, conhecido como a Crise de 1383-1385.
Reinado do Décimo Rei de Portugal - Séc. 14
Em 1385, D. João I vence a Batalha de Aljubarrota contra o Rei de Castela, e torna-se rei de Portugal, aos 28 anos, preservando a independência de Portugal e estabelecendo a Casa de Avis.
O rei D. João I ordenou a construção do gótico Mosteiro da Batalha, para cumprir a promessa feita à Nossa Senhora, que caso vencesse a Batalha de Aljubarrota, iria construir um monumento grandioso em sua honra - o Mosteiro de Santa Maria
da Vitória.
A 9 de Maio de 1386, o rei D. João I e o rei D. Ricardo II de Inglaterra assinaram o Tratado de Windsor, que se tornaria na aliança diplomática contínua mais antiga do mundo. Nas suas cláusulas constavam obrigações de auxilio mútuo militar, em caso de ataque inimigo, e apoio diplomático.
A Fevereiro de 1387, D. João I casa com D.Filipa de Lancaster, filha de D. João de Gaunt, um importante líder inglês e neta do rei de Inglaterra, que reforçaria a aliança Anglo-portuguesa.
D. João I dá inicio à exploração marítima e à descoberta de novas terras além mar. E começa por conquistar Ceuta, em 1415, uma importante cidade africana, que, ajudou Portugal a controlar importantes rotas marítimas e o comércio com África.
Sob a liderança do seu filho, o príncipe Henrique, o Navegador, Portugal começou a explorar a costa africana. Isto levou à descoberta das ilhas da Madeira em 1417 e dos Açores em 1427. Portugal ficaria, assim, completamente formado com os seus arquipélagos.
Reinado do Décimo-Primeiro Rei de Portugal - Séc. 15
D. Duarte I subiu ao trono em 1433, aos 42 anos.
No ano seguinte, promulgou a “Lei Mental”, idealizada por D. João I, que excluía as mulheres da sucessão real e fazia regressar à Coroa as terras que tivessem sido doadas pelo rei, caso os seus governantes viessem a morrer sem deixar filhos varões legítimos que as pudessem herdar. O objectivo era evitar a dispersão do património real, até então generosamente distribuído por nobres e ordens religiosas.
O seu irmão D. Henrique, o Navegador estabeleceu-se em Sagres, de onde dirigiu as muitas navegações e, em 1434, Gil Eanes dobrou o Cabo Bojador, à segunda tentativa. Algo que em 12 anos ninguém tinha conseguido, o que permitiu o início das navegações ao longo da costa africana.
Numa campanha mal sucedida a Tânger, em 1437, o seu irmão mais novo D. Fernando foi capturado e morreu em cativeiro.
Reinado do Décimo-Segundo Rei de Portugal - Séc. 15
D. Afonso V recebeu o trono aos 6 anos.
O seu exército capturou Alcácer Ceguer, em 1458, e Arzila, em 1471. A cidade de Tânger foi conquistada e perdida várias vezes entre 1460 e 1464.
Reinado do Décimo-Terceiro Rei de Portugal - Séc. 15
D. João II ascendeu ao trono aos 26 anos, e tomou medidas para reduzir o poder da nobreza e garantir o poder absoluto. Uma das medidas foi retirar-lhes o direito de tomar decisões legais sobre as suas próprias terras.
Os nobres rapidamente começaram a conspirar contra ele. Em 1483, os espiões reais encontraram cartas secretas. A Casa de Bragança foi declarada ilegal, as suas terras foram confiscadas e o duque foi executado em Évora.
No ano seguinte, o rei mandou chamar o seu primo, o Duque de Viseu, ao palácio e ele próprio o assassinou à facada, por suspeitar de uma nova conspiração. Muitos outros foram executados, assassinados ou exilados para Castela. Isto incluiu o bispo de Évora, que foi envenenado na prisão. Após estas duras acções, ninguém ousou desafiar o rei. A coroa anexou muitas terras, o que fez do rei a pessoa mais poderosa do reino.
Em 1479, os reinos de Castela, Leão e Aragão unem-se devido ao casamento de D. Isabel de Castela com D. Fernando II, herdeiro do trono de Aragão, em 1469.
Durante o reinado de D. João II, o navegador Diogo Cão explorou regiões e rios da, então, desconhecida África e Bartolomeu Dias dobrou o Cabo das Tormentas, em 1488. Este grandioso feito permitiu fazer a tão desejada ligação entre o Oceano Atlântico e o Oceano Índico, que possibilitaria mais tarde, a descoberta do caminho marítimo para a India.
Em 1494, D. João II negociou o Tratado de Tordesilhas com a Coroa de Castela, em que dividiram o mundo desconhecido entre si.
Feudalismo Português?
O sistema feudalista que se vivia pela Europa medieval, principalmente no Império Sacro Romano(5), era diferente do que se vivia no Reino de Portugal.
O Feudalismo é a organização de um reino, de economia servil e agrária, com base em relações de dependência de lealdade (vassalagem) entre homens (susserano e vassalo) e onde o poder central (rei) é meramente simbólico e encontra-se fragmentado, pelo poder dos Senhores Feudais (alta nobreza e alto clero).
A economia no Portugal Medieval, similar à restante Europa, era baseada, principalmente, na agricultura e criação de gado de subsistência, mas também, na pesca, comércio e artesanato. E a principal fonte de poder e riqueza era possuir terras.
No entanto, em Portugal, os senhores feudais portugueses não tinham tanto poder. A governação, a aplicação da lei e a cunhagem de moeda centravam-se nas mãos do rei, com forte apoio do clero.
E, portanto, as relações de dependência - vassalagem(6) - entre homens (susserano e vassalo) não tinham tanta importância como noutros reinos europeus. Talvez pelo reino português ter nascido na Baixa Idade Média e ter acompanhado o declínio do feudalismo europeu.
O "feudalismo português" nasceu, tal como na Europa, da necessidade de protecção das terras das constantes invasões. No entanto, isto aconteceu, em Portugal, devido à Reconquista de terras tomadas pelos muçulmanos.
Os reis portugueses doaram terras reconquistadas (Feudos) a nobres e clero (Senhores Feudais), como recompensa de as terem tomado aos mouros, para que estes as protegessem e povoassem.
As terras dos senhores nobres (honras) localizavam-se, sobretudo, no norte do território, e no centro e sul encontravam-se, maioritariamente, as terras dos senhorios do clero (couto), principalmente de ordens religiosas e militares.
Os feudos, tal como na Europa feudalista, eram economicamente autónomos do rei. Os senhores feudais tinham o controlo sobre os meios de produção e não pagavam impostos ao rei. Nas suas terras e castelos trabalhavam trabalhadores livres e não-livres. A quem os senhores feudais cobravam impostos.
Mas ao contrário do feudalismo praticado em outros reinos europeus, os reis portugueses foram criando concelhos(3) para fixar populações em territórios reconquistados, concedendo cartas de foral, que estabeleciam os direitos e deveres aos homens livres que habitavam e trabalhavam no concelho. Os seus habitantes pagavam impostos ao rei, tinham despesas na construção de edifícios e muralhas defensivas e participavam no governo da cidade, mas a autoridade máxima era o rei.
A sociedade medieval portuguesa estava, portanto, dividida por ordens sociais:
- Realeza,
- Nobreza,
- Clero,
- Povo (que incluía minorias de mouros e judeus)
A Nobreza era a minoria, mas era quem detinha mais poder e riqueza.
A Nobreza subdividia-se em Alta Nobreza, os senhores feudais (nobreza de linhagem ou ricos-senhores) e em maior número a Baixa Nobreza, que eram pequenos proprietários de terras e vassalos dos senhores feudais.
Já o Clero dividia-se em alto clero de origem nobre (bispos, abades, priores, mestres militares) e o baixo clero (clérigos, frades, monges, irmãos conversos) da baixa nobreza e povo. E subdividia-se em clero secular e regular.
O clero secular vivia nas igrejas ou sés, junto das populações das cidades ou dos campos. E o clero regular vivia, em mosteiros ou conventos, seguindo as regras das ordens religiosas a que pertencia.
Num país fervorosamente cristão, nascido da Reconquista cristã, o clero detinha grande poder quer junto do rei e da alta nobreza; quer a nível económico e cultural, num país onde poucas escolas existiam (apenas as da Igreja) e onde o analfabetismo era quase total.
O Povo era a maioria da população, mas era a ordem menos privilegiada. Composta por servos e trabalhadores livres, que através do seu trabalho fisico asseguravam o sustento e a produção do reino.
Os servos (mouros e prisioneiros de guerra) e os seus descendentes, viviam na terras dos senhores feudais e pagavam-lhes uma renda anual e tributos. Os servos não podiam sair dos feudos e tinham que pagar pela protecção militar e pela utilização dos moinhos, fornos e lagares do senhor feudal, com trabalhos de cultivo, pastorícia, recolha de lenha, corte de árvores, reparações, tarefas domésticas, outras.
Os trabalhadores livres incluíam:
- os criados domésticos assalariados, que realizavam as tarefas domésticas;
- os trabalhadores agrícolas assalariados, que trabalhavam nas terras do Senhor feudal;
- os camponeses, que arrendavam uma terra ao senhor feudal ou rei e viviam e trabalhavam nela com a sua família;
- e os trabalhadores livres que viviam fora dos feudos, nos concelhos e que eram mercadores, artesãos especializados, almocreves(7), pescadores, outros. Aqui incluía-se a Burguesia.
Reflexão
A Idade Medieval foi crucial para Portugal, sendo que o reino de Portugal foi fundado nessa época. Portugal nasceu da Reconquista da Península ibérica aos mouros. A formação desta nação uniu os povos ibéricos que viviam nessa região, formando a identidade portuguesa.
Portugal é uma das nações mais antigas da Europa, os restantes Estados europeus apenas se uniriam e se formariam como actuais países na Idade Moderna (França, Espanha) e Contemporânea (Alemanha, Itália).
O Cristianismo foi essencial para a formação de Portugal, pois foi essa fé que uniu e incentivou os povos ibéricos a lutar contra os invasores islâmicos e trouxe o auxilio militar de cavaleiros de reinos europeus cristãos, cavaleiros cruzados e templários, enviados pelo Papa.
Sem essa união cristã, teria sido muito difícil vencer os muçulmanos, que recebiam constantes reforços do norte de África e da Península Arábica.
O primeiro rei português, D. Afonso Henriques, que fundou Portugal é de origem franca, de Borgonha, e não ibérica. O seu pai, D. Henriques, foi um dos cavaleiros cristãos que vieram em auxilio dos reis ibéricos na luta contra os mouros.
Se não fosse pela determinação e valentia do guerreiro D. Afonso Henriques, não só não existiria a nação, como não existiria o próprio nome de Portugal.
Glossário
Mouros(1) - A palavra 'mouro' vem do latim 'Maurus', usado pela primeira vez pelos romanos para designar alguém da província romana da Mauritânia, que era parte ocidental da actual Argélia e de Marrocos. E refere-se a uma mistura étnica de muçulmanos de origem norte-africana e árabe que invadiram a Península Ibérica, em 711 d.C.
Condado (2) - Território governado por um conde.
Concelhos (3) - Os concelhos eram territórios rurais ou urbanos onde viviam comunidades de homens livres, cuja autonomia, político-administrativa provinha da necessidade do rei de repovoar o interior e o sul do país, durante e após o período da reconquista.
A administração do concelho era feita pela comunidade de homens livres que nela trabalhavam ou eram proprietários de áreas, ao contrário dos feudos.
Carta de foral (4) - É um documento concedido pelo rei a um concelho, onde se estabelecia os direitos e deveres aos homens livres que lá habitavam e trabalhavam.
Império Sacro Romano(5) - O Sacro Império Romano foi fundado, em 800 d. C. pelo seu imperador(rei) Carlos Magno, de origem franca. Era uma monarquia feudal, de que fizeram parte condados, ducados e principiados da França, Alemanha, Áustria, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, República Checa, Eslováquia, Eslovénia, norte de Itália e parte da Polónia. Desintegrou-se em 1806.
Vassalagem (6) - Como na Era Medieval Europeia, os conflitos entre a aristocracia das vizinhanças eram frequentes, os senhores mais poderosos (suseranos) estabeleceram alianças com outros menos poderosos (vassalos), que lhes colocavam à disposição homens e armas, recebendo em troca protecção e feudos. Criando uma relação de dependência. Este acordo era selado com juras de vassalem e fidelidade.
Almocreves (7) - Os almocreves eram pessoas que conduziam animais de carga e/ou mercadorias de uma terra para outra em Portugal. Numa época de comunicações limitadas, os almocreves eram essenciais como ligação entre as comunidades.
