Principais Acontecimentos da Idade Moderna: séc 16 a 18
- Era dos Descobrimentos
- A Inquisição Portuguesa
- O Lusíadas
- União Ibérica - Dinastia Filipina
- Restauração da Independência de Portugal
- Inicio da Dinastia de Bragança
- Reformas Pombalinas
- Grande Terramoto de 1755
A história moderna portuguesa é marcada pela Era dos Descobrimentos, uma época de exploração marítima e expansão global, que marcou os séculos 15 e 16.
A partir do século 14, o visionário Infante D. Henrique, quinto filho do rei D. João I de Avis, promoveu a exploração marítima: desenvolvendo a caravela e a nau portuguesas, fazendo uso dos melhores conhecimentos científicos da altura e financiando várias expedições ao longo da costa africana, que seriam fundamentais para a futura descoberta do caminho marítimo para a Índia, através de África.
No Inicio da Era Moderna, D. Manuel I estava no trono português, com 26 anos de idade.
A descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama, em 1498, foi um dos marcos mais importantes desta era, pois o comércio das especiarias, efectuado pela nova rota do Cabo da Boa Esperança, tornava os produtos mais baratos.
Mas os egípcios, muçulmanos, venezianos e otomanos que dominavam este comércio, pela rota do Mediterrâneo e Índico, uniram-se numa poderosa frota para afastarem os portugueses e atacaram uma pequena frota portuguesa, em Chaul (Índia) afundando um navio português, em que se perderam 200 homens, entre eles, D. Lourenço de Almeida, filho do vice-rei da Índia.
D. Francisco de Almeida, o vice-rei da Índia, para vingar a morte do filho e assegurar o domínio português, preparou uma armada e combate-os em Diu, na India. Mesmo em menor número, a armada portuguesa destruiu e tomou toda a frota inimiga, sem a perder um único navio português.
A decisiva Batalha de Diu, de 1509, garantiu a Portugal o controlo absoluto do Oceano Índico durante 30 anos. Só em 1538, o Império Otomano começou a controlar algumas rotas comerciais.
Em 1500, o navegador Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil, na América do Sul.
Portugal necessita, agora, de mão-de-obra para trabalhar nas culturas da nova colónia americana, intensificando o tráfico de escravos africanos. Os entrepostos comerciais, também, serviam inicialmente para a captura de escravos. Mas os portugueses deixaram de o fazer, pois os seus navios começaram a ser atacados pelos africanos. Assim, quase a totalidade de escravos foram vendidos a Portugal, por governantes africanos, que já o faziam com os árabes, desde o século 7.
Os portugueses chegariam, ainda, a Oman (1508), à Malásia (1511), a Timor (1512), à China (1513) e ao Japão (1543).
Foi, também, um navegador português, Fernão de Magalhães, que planeou e comandou, entre 1519 e 1522, a primeira viagem de circum-navegação do globo, ao serviço do rei espanhol. Provando que a terra é redonda e reforçando as teorias heliocêntricas do humanismo renascentista.
O pequeno reino de Portugal era, agora, o maior império do mundo.
As explorações portuguesas levaram à descoberta de novas terras na Ásia, África e América do Sul; novas rotas marítimas e ao estabelecimento de entrepostos comerciais e colónias que se tornaram importantes fontes de riqueza.
O reino português tornou-se numa potência global, impactando profundamente o comércio internacional, mas, também, as trocas culturais e de conhecimentos globais, que fariam florescer o Renascimento em Portugal.
A intensificação do comércio empoderaram mais a Burguesia portuguesa.
Foi nesta época de prosperidade, que D. Manuel I ordenou a construção do Mosteiro dos Jerónimos (1057) e da Torre de Belém (1514). Fazendo surgir o Estilo Manuelino, que se destaca pelos elementos marítimos, cristãos e régios.
A Inquisição, ou Tribunal do Santo Oficio, era conhecida pelas suas torturas brutais e cruéis, como forma de fazer os acusados confessar.
A Inquisição era uma forma da Igreja Católica manter o seu domínio sobre a Europa, evitando que novas ideias, religiões ou criticas se divulgassem. Os reis usavam a Inquisição para se desfazerem de inimigos.
A Inquisição portuguesa esteve 285 anos em actividade, e foi abolida em 1821.
D. Sebastião ascende ao trono, com apenas 3 anos, depois do seu avô, o rei D. João III, morrer sem deixar um herdeiro legítimo. Aos 14 anos assume o poder.
Canto I
"As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte."
Em 1578, o rei D. Sebastião, desaparece em combate, na Batalha de Alcácer-Quibir, em Marrocos. Deixando Portugal sem rei, nem herdeiros.
D. João IV de 36 anos, é coroado rei, e Portugal recupera a sua independência, no entanto, as guerras com Espanha continuam, o que que implicou um grande esforço militar e financeiro.
- Portugal foi o primeiro reino a proibir a importação de escravos em Portugal Continental, em 12 de Fevereiro de 1761. A escravatura nas colónias portuguesas só seria abolida, 108 anos depois, em 1869.
- Acabou com a discriminação dos cristãos-novos (muçulmanos e judeus), apesar de não ter extinguido oficialmente a Inquisição.
- Criou a Real Mesa Censória em 1768, com o objectivo de o Estado passar a fiscalizar as obras que se pretendessem publicar ou divulgar no Reino, o que até então estava a cargo do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição).
- Expulsou os jesuítas (Companhia de Jesus) de Portugal, das colónias, e confiscou as suas propriedades, reduzindo o poder da Igreja.
- Desenvolveu a Indústria e melhorou o Comércio.
- Construiu muitas escolas públicas e modernizou o sistema educativo.
- outras.
Pombal assumiu o comando da sua reconstrução, implementando técnicas modernas de planeamento urbano e tornando essas cidades mais resistentes a futuros sismos, ficando conhecida como a Arquitectura Pombalina.
Apesar dos esforços do Marquês de Pombal de modernizar a economia portuguesa, não conseguiu deter o lento declínio da influência global portuguesa e consequentemente da riqueza do país.
Análise
A Idade Moderna Portuguesa foi uma época em que o Portugal tornou-se numa potência económica global e transformou a economia mundial.
Portugal enriqueceu, mas foi empobrecendo progressivamente. Muitos factores contribuíram para o declínio económico do país, ao longo dos séculos.
A sua influência global diminuiu quando outros reinos europeus começaram a usar as rotas portuguesas e a competir com os entrepostos portugueses.
A União Ibérica, também, enfraqueceu Portugal, pois os reis espanhóis estavam mais focados em defender os seus territórios, usando soldados, riqueza portuguesa e altos impostos para o fazer. Negligenciando a economia portuguesa e colónias portuguesas, que foram invadidas por outros países europeus.
Isso revoltou a população portuguesa, levando à Guerra da Restauração, que implicou um grande esforço económico.
Depois o Grande Terramoto de 1755, que destruiu o coração económico do país, a capital, e muitas cidades da costa portuguesa e do Algarve e obrigou a um grande investimento e a um retomar lento das indústrias.
Seguiram-se as invasões napoleónicas, durante 7 anos, que parou a economia portuguesa e destruiu muitas áreas do país.
Os tratados comercias com a Inglaterra prejudicaram gravemente a economia portuguesa, tornando-a dependente.
A perca da colónia sul-americana foi outro grande golpe na economia portuguesa.
Portugal começa a perder o domínio comercial europeu e os reis da dinastia de Bragança começam a perder o seu poder com as ideias iluministas que se espalhavam pela Europa.
Portugal avança, assim, para a Idade Contemporânea empobrecido e com um novo sistema de governo, que enfrentaria muita instabilidade política, destabilizando a economia.
Talvez Portugal pudesse ter gerido melhor a sua riqueza, como a corrupção, referida por Camões no Lusíadas. Mas seria impossível controlar acontecimentos tão dramáticos como a gestão espanhola (filipina) de Portugal, um terramoto devastador, as guerras da restauração ou as invasões francesas.
Fernando Pessoa, na sua Mensagem, apelaria aos portugueses, incitando-os a valorizarem a cultura da nação e a se tornarem "grandes", como os heróis portugueses do passado, o fizeram...
Mas infelizmente, numa altura de forte industrialização europeia, Salazar irá isolar Portugal e atrasar o desenvolvimento cultural e industrial, quase regressando a uma economia de subsistência medieval.
Depois Portugal foi afectado pelas crises dos principais mercados internacionais, como a dos EUA de 2008, do mercado imobiliário
A actual situação economia e social de um país tem raízes profundas. E conhecer a sua história é perceber como uma próspera potência mundial se torna num país empobrecido que começou a reerguer-se ao integrar na comunidade europeia e ao receber o seu apoio económico para sobreviver num duro sistema capitalista.
Apesar de democrático, infelizmente Portugal ainda tem uma mentalidade de vassalagem medieval e de divisão de ordens sociais que se traduz numa grande corrupção.
E enquanto, essa mentalidade não mudar Portugal nunca poderá ser realmente um país desenvolvido e próspero.