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Pré-História e Antiguidade Portuguesa - Resumo


Cromeleque dos Almendres, em Évora


Principais Acontecimentos da Pré-História e Idade Antiga em Portugal


  • Chegada dos Homos à Ibéria
  • Formação do Primeiro Povo Nativo 
  • Invasões Celtas
  • Chegada dos Gregos, Fenícios e Cartaginenses
  • A Ocupação Romana


  • Os Iberos Pré-Históricos

Comunidades de Homo Neanderthalensis e Homo Sapiens terão chegado à Península  Ibérica, na Idade da Pedra, durante a fase do Neolítico, e foram dando origem a povos ibéricos, como os Estrímnios.

Os Estrímnios são considerados o primeiro povo nativo conhecido de Portugal.  Terão habitado toda a área da Galiza ao Algarve, entre os finais do Neolítico e os inícios da Idade do Ferro. 

Oestremni significaria, em latim, (povo do) extremo ocidente. 

Este povo dedicava-se à agricultura e criação de animais. Dormia no chão e alimentava-se de carne de cabra e pão de farinha de bolota.

Veneravam divindades associadas aos elementos naturais, animais e plantas, e realizavam rituais sazonais e sacrifícios.

Os Estrímnios viviam em povoados dispersos, sem uma aparente liderança definida. 

Transmitiam oralmente as suas tradições, lendas e conhecimentos de geração em geração.

Este povo é associado à construção de monumentos de grandes pedras, chamados de monumentos megalíticos, como cromeleques, menires e antas, usados para fins funerários, religiosos ou simbólicos.

As principais referências a este povo provêm da obra "Ora Maritima", do escritor clássico-romano Avieno. 

Segundo Avieno, os Estrímnios foram expulsos das suas terras por uma invasão de serpentes, interpretado pelo historiador e arqueólogo alemão Adolf Schulten como a chegada dos Sefes, de origem celta.

Os territórios formados pelos Sefes eram descritos pelos gregos, da Antiguidade, como Ofiússa, ou "Terra das Serpentes".


  • A Chegada dos Celtas

Durante a Idade do Ferro, a Península Ibérica foi invadida por várias vagas de povos celtas.

Uma dessas tribos celtas foram os Sefes ou Offis , um povo guerreiro, oriundo das regiões da Alemanha e República Checa, da cultura de Hallstatt(1).

Os Sefes viviam em pequenas aldeias, principalmente, no cimo de montes, fortificados por pedras, chamados de castros.

Com base nos conhecimentos da cultura de Hallatatt, as suas casas eram circulares e geralmente construídas em madeira ou pedra e cobertas com colmo(3) ou telhas de madeira. 

Dedicavam-se, principalmente, à agricultura e a criação de gado. Mas, também, caçavam e pescavam.
Eram também artesãos habilidosos e usavam esses objectos igualmente para troca comerciais com outros povos.

Os seus chefes tribais eram escolhidos pela sua bravura ou prestigio. Os guerreiros eram enterrados com as suas armas e objectos pessoais, indicando sua posição social elevada.

A religião tinha muita importância na vida dos celtas, da cultura de Hallstatt. Eles adoravam vários deuses associados à natureza. Os rituais religiosos eram realizados em locais sagrados, como bosques ou fontes de água.


Não se sabe o motivo do seu desaparecimento. Pensa-se que, possivelmente se tenham fundido com outras tribos celtas ou que possam ter-se misturado com os Iberos Estreminios e dado origem aos celtiberos, originando o povo Lusitano.


  • Os Povos do Inicio da Antiguidade
Já na Antiguidade viviam na região de Portugal vários povos, como os iberos, os celtas e os celtiberos.

Os Lusitanos são o povo mais conhecido da Antiguidade, por terem resistido com bravura 200 anos à ocupação romana, sob a liderança de Viriato.
No entanto, este povo não deixou vestígios. E apesar de ser o povo mais famoso é, no entanto, um dos mais desconhecidos. Os únicos conhecimentos que temos dos Lusitanos são as descrições do geógrafo grego, Estrabão.

Alguns historiadores consideram que os Lusitanos eram celtiberos, outros que eram celtas, que vieram da Europa Central, durante a Idade do Ferro. Já o arqueólogo português Martins Sarmento considerava que os Lusitanos eram de origem Ligure.

Este povo guerreiro viviam na na Lusitânia, pré-romana. A capital em Mérida, na Extremadura espanhola, foi apenas fundada após a romanização da Ibéria.

Viviam, principalmente, do pastoreio, da agricultura e do comércio. 

Segundo Estrabão, os Lusitanos eram fortes como lobos e tinham um espirito rebelde e ânimo guerreiro. Usavam o cabelo comprido como as mulheres e eram hábeis na luta de guerrilhas e a armar emboscadas. Usavam um pequeno escudo redondo suspenso ao pescoço por correias e um punhal ou espada.

Alimentavam-se apenas uma vez ao dia, de carne de cabra e pão de farinha de bolota. Durante a refeição, sentavam-se em circulo, em bancos de pedra e a comida era passada de mão em mão. Bebiam cerveja de cevada e homens e mulheres dançam ao som de flautas e trombetas, de mãos dadas.

Dormiam no chão sobre palha e cobertos com um manto de lã.


Já as regiões do Algarve e Baixo Alentejo eram povoadas pelos Cónios ou Cinetes. A sua origem étnica é, ainda, desconhecida.

No Algarve, da antiguidade, viviam também, os Cempsos, que são considerados por alguns como uma variante étnica dos Cónios. Mas outros historiadores propõem que eles terão sido outro povo celta, que acompanhou os Sefes na vinda para a Península Ibérica.



  • A Presença Fenícia, Grega e Cartaginense na Ibéria
Entretanto, vários povos mediterrânicos e europeus, principalmente Fenícios, seguidos dos Gregos e, mais tarde, os Cartagineseschegam ao sul de Portugal, atraídos pelos minérios existentes nesta região, como a prata, o cobre e o estanho e criam entrepostos comerciais na costa Ibérica, que em alguns casos se transformaram em cidades.

Os Fenícios, antigo povo de navegadores e comerciantes, originário do actual Líbano e da zona costeira da Síria, estabeleceram, no séc. 8 a.C., vários pontos de comércio em Portugal, entre eles: Tavira, Alcácer do Sal, Setúbal (Abul), Lisboa (Olisipo) e criaram rotas marítimas para trocar produtos.

Os Fenícios trouxeram:

  • Técnicas avançadas de fundição;  
  • A roda de oleiro, para a fabricação de cerâmicas;  
  • Novas técnicas de exploração de minas; 
  • Novas técnicas de navegação e novos tipos de embarcações, como os barcos a remos e a vela, e técnicas de navegação; 
  • Desenvolvem a pesca e a salga do peixe;
  • Introduziram o alfabeto fenício (que foi a base para o grego e, em consequência, para o latino);
  • Novas práticas religiosas e artísticas.

Estas trocas comerciais e de conhecimentos trouxe prosperidade para estas regiões ibéricas.


Os Gregos chegaram depois à Península, concorrentes comerciais dos Fenícios e chamaram-na de Ibéria. Como vestígios da sua presença, em Portugal, deixaram a ânfora (um dos primeiros recipientes para armazenar mantimentos), vasos e moedas. 


Cartagineses, antigo povo, descendente dos Fenícios, habitava a actual Tunísia
Estes dedicam-se ao comércio de metais e à salga de peixe. Atribui-se-lhes a fundação de Portimão e outras colónias de pescadores na costa algarvia.


  • A Ocupação Romana

Depois da Primeira Guerra Púnica(3), os Cartagineses instalam-se na Península Ibérica, de onde dirigiram a sua luta contra os Romanos, facto que provocou a conquista da península por Roma, na sequência da Segunda Guerra Púnica.

Os exércitos romanos derrotaram os Cartagineses em 206 a. C., e ocuparam as costas mediterrânicas da península. Daí avançaram a conquista para o interior da Ibéria.

Estes tinham interesse nos recursos naturais como prata, cobre e estanho, mas, sobretudo no domínio do comércio do Mediterrâneo.

Os romanos chamaram à Península Ibérica de Hispânia e, inicialmente, dividiram-na em duas províncias: 

- Hispania Citerior (leste da Ibéria, onde se incluíam as regiões norte de Portugal)  

- e Hispania Ulterior (sul e oeste da península, onde se incluía centro e sul de Portugal).

Com o passar do tempo, vão criando mais províncias romanas, de forma a governa-las de forma mais eficiente. 

A dada altura a Ibéria estava dividida pelas seguintes províncias romanas:

  • Hispania Galécia (Galícia, Astúrias e norte de Portugal), 
  • Hispania Lusitânia  (centro e sul de Portugal e centro de Espanha),
  • Hispania Baética (parte do sul de Portugal e Andaluzia de Espanha), 
  • Hispania Tarraconense (nordeste de Espanha), 
  • Hispania Cartaginense (centro, leste e sudeste de Espanha).


Os Romanos dominaram quase 700 anos a Península Ibérica e durante este tempo os costumes dos povos ibéricos alterou-se. 

- Romanizaram a região, onde se passou a usar leis e costumes romanos

- O latim passou a ser a língua dominante e a numeração romana começou a ser usada.

 - Construíram novas cidades, estradas, aquedutos(4), pontes que unificaram o território. Mas, também, teatros, balneários públicos(termas), templos e monumentos.

- Introduziram novas técnicas na agricultura e intensificaram a produção agrícola de vinho, azeite , trigo, outros.

- Criaram indústrias de salga do peixe, olaria, tecelagem, outros.

- Desenvolveram mais o comércio e aumentaram o uso da moeda.

- Introduziram o Cristianismo.

É durante a Antiguidade que nasce Jesus e os romanos, que acreditavam em vários deuses, adoptam o Cristianismo em 380d.C.. Torna-se a religião oficial do Império romano, e, portanto, das regiões de Portugal.

O exército romano mantinha a ordem e a segurança e recolhia os impostos para o Imperador romano.

O geógrafo grego Estrabão descreveu essa região mais difícil de conquistar como “muito favorecida, no que respeita a frutos, animais, e quantidade de ouro, prata e outros metais similares, e que os povos “montanheses” que a habitavam eram frugais, alimentando-se sobretudo de carne de cabra e de bolotas que usavam para fazer pão. Estas bolotas, que provinham de carvalhos, azinheiras e sobreiros, serviam também para alimentar animais domésticos como o porco”.

Os romanos não só transformaram como desenvolveram os territórios que conquistaram, tornando-os mais modernos e civilizados. E a população ibérica aumentou durante esse periodo.

Os romanos controlaram a região até à chegada das tribos germânicas, no século 5 d.C., a partir das quais os Suevos (a norte) e os Visigodos (a sul) estabeleceram-se e formaram os seus próprios reinos.


Nota: A maioria dos povos que habitaram Portugal, durante o Neolítico e a Antiguidade, não deixaram vestígios e tudo o que sabemos sobre eles provem das crónicas históricas e geográficas de Gregos e Romanos, da Idade Antiga. 


Análise

Vários povos tiveram influência na cultura portuguesa, muito antes da fundação do Reino de Portugal, que aconteceria na Idade Média (século 12). Conhecer estes povos é conhecer as raízes de muitas das práticas e tradições que continuam a moldar a cultura portuguesa até aos dias de hoje.

Mas, estas civilizações antigas não contribuíram só para a cultura, mas, também, para o desenvolvimento da região.

Os actuais portugueses são, também, descendentes de todos estes antigos povos, que habitaram o território português e se foram misturando com outros e adaptando à dominação de vários povos.



Glossário

Cultura de Hallstatt(1) - Foram povos pré-históricos que viviam, principalmente, na Europa central, durante a transição da Idade do Bronze para a Idade do Ferro. Estes povos receberam este nome por terem sido encontrado s seus vestígios na aldeia chamada Hallstatt, na Áustria.

Telhado de colmo (2) - É uma técnica muito primitiva de construção de telhado, feita com palha de centeio atada sobre uma estrutura de madeira em grelha.

Guerras Púnicas (3) - Consistiram em 3 conflitos entre Roma e Cartago pelo domínio do Mar Mediterrâneo. Depois de um século de guerra, Roma venceu.

Aquedutos (4) - Uma das inovações introduzidas pelos romanos, na Ibéria, que serviam para levar água de fontes de zonas distantes até à população.  


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