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O que foi a Primavera Árabe - Resumo

Primavera Árabe no Egipto, em 2012.



A Primavera Árabe foi uma onda de protestos que começou a partir de 2010,  nos países árabes do Norte da África e no Médio Oriente, exigindo melhores condições de vida aos Governos ditatoriais. 

As primeiras manifestações aconteceram na Tunisia, depois de um vendedor ambulante, de 26 anos, em protesto, atear fogo a si mesmo, em frente ao edifício do governo, em Dezembro de 2010.

Na Tunisia (Dezembro 2010), no Egipto (Janeiro 2011), Líbano (Janeiro 2011) e no Lémen (inicio de 2011) levou à queda do governo; 

Na Jordânia (Janeiro 2011) o rei demitiu o Primeiro-Ministro;

No Omã (Fevereiro 2011), o sultão demitiu vários ministros e fez algumas reformas;

O Governo de Marrocos (Fevereiro 2011) e da Arábia Saudita (Fevereiro 2011) introduziram algumas reformas. 

Já no Kuwait (Fevereiro 2011) e Bahrein (Fevereiro 2011) a violência militar foi suficiente para calar as manifestações.

Na Líbia (Fevereiro 2011)Lémen (inicio de 2011) e Síria (Março 2011) a revolta da Primavera Árabe escalou para devastadoras guerras civis, que dividiram os países com diferentes governos. 
As guerras no Lémen e Síria não são só uma disputa de poder pelo governo do país, mas também, uma guerra de ideologias religiosas, entre o Islão Xiita e Islão Sunita.
Os conflitos no Lémen e Síria continuam até à actual data (2026). 

A Primavera Árabe, que tinha como objectivo melhores condições de vida para as populações, acabou por não trazer muitas melhorias significativas. 

Em alguns países, em que os protestos escalaram para longas guerras civis, causou apenas muita destruição, milhões de mortos e de refugiados.

Observou-se, também, o envolvimento militar de grupos extremistas islâmicos, que lutam por governar os países seguindo escrituras religiosas da Idade Média, o oposto do movimento democrático da Primavera Árabe.

Até ao momento (2026) apenas a Tunísia conseguiu implementar um sistema democrático, num processo lento e repleto de desafios.

No entanto, a Primavera Árabe é o símbolo do inicio da luta pela mudança no Mundo Árabe.


Breve Resumo das Guerras da Líbia, Lémen e Síria

Derrube de Khadafi na Líbia
Na Líbia, o país com as maiores reservas de petróleo e gás da África, a ONU e a OTAN decidem proteger os protestantes civis e bombardeiam as forças militares de Khadafi, transformando as manifestações numa guerra civil, entre grupos rebeldes e o regime de Khadafi.

Em Outubro de 2011, um grupo de rebeldes, auxiliado por um ataque aéreo francês, captura e mata o ditador Khadafi. 
Entretanto, começa uma nova guerra civil pela disputa do poder, entre vários grupos, alguns extremistas islâmicos.

As Nações Unidas (ONU), mais uma vez interveio, e "colocou" um governo em Tripoli, enquanto no leste da Líbia, o general Khalifa Haftar foi tomando a maior parte do país e cujo governo é apoiado pela Rússia e Egipto.

Após 9 anos de guerra, foi acordado um cessar-fogo, em 2020, mas o país continua dividido em duas regiões, de governos diferentes.
Será a Líbia reunificada ou serão fundadas duas novas nações?!


Deposições de Saleh e Hadi no Lémen
No Lémen, após um ano de protestos, o ditador Saleh demitiu-se, no inicio de 2012, dando lugar ao seu Vice-Presidente Hadi. Mas a população queria mais mudança e continuaram as manifestações por mais 2 anos, lideradas pelo grupo xiita Al-Houthi, apoiados pelo Irão.
Mas sem resultados, em 2014, os Houthi tomam o poder da capital e em Janeiro de 2015, o governo sunita de Hadi foi deposto.

Em Março de 2015, o país mergulha numa violenta guerra civil, quando o ex-governo de Hadi começa a receber apoio militar da sunita Arábia Saudita e coligação de países do Golfe Pérsico, de governo sunita. Pouco depois, os EUA, o Reino Unido, a França e vários países da ONU resolvem interferir militarmente no apoio ao governo sunita.

Entretanto envolvem-se, também, neste conflito outros grupos armados, como o Al Qaeda e o grupo Conselho de Transição do Sul (STC). Este último apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, que lutam, igualmente, pela governação do Lémen.

Em Julho de 2016, os houthis e o ex-presidente Saleh, formam uma aliança política para governar Sanaa e grande parte do norte do Lémen. No entanto, em Dezembro de 2017, Saleh conspira para depor os Houthis e acaba por ser morto.

A guerra atingiu um impasse, o Lémen está dividido em regiões, sob controlo de diferentes grupos. 

Estes 11 anos de guerras deixaram um rasto de, aproximadamente, 400 mil mortos e provocaram uma das maiores crises humanas do mundo - 21 milhões de pessoas estão em situação critica. E a guerra continua no Lémen.

A partir de 2023, os xiitas houthis envolveram-se, simultaneamente, na Guerra de Israel-Palestina, apoiando o grupo sunita Hamas, que luta pelo controlo da Faixa de Gaza e é, também, apoiado pelo xiita Irão.


Deposição de Bashar al-Assad
Na Síria, a Primavera Árabe transformou-se numa sangrenta guerra civil que durou 10 anos, e o governo xiita sírio passou a enfrentar grupos organizados armados, que se foram formando ao longo do conflito, como o Exército Sírio Livre (desertores do Exército Nacional xiita),  a  Frente Islâmica (sunita), a Frente Síria de Libertação Islâmica, a Frente Al-Nusra (um braço da sunita Al-Qaeda), o Estado Islâmico (sunita), entre outros grupos rebeldes que combatiam o regime de Assad. 

O ditador da Síria, Bashar al-Assad, além de contar com o exército do governo, começou a receber apoio do Irão, da Rússia e do Hezbollah, um grupo xiita libanês. 

Mas quando o grupo extremista Estado Islâmico começou a ganhar terreno e  a espalhar o terror pelo mundo, os EUA e a sua coligação intervieram militarmente e apoiaram,também, grupos não extremistas, como a Frente curda e grupos não apoiantes do Governo de Assad, como o Exército Sírio Livre (desertores do Exército Nacional).

Entretanto, em Dezembro de 2014, o grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS) derrubou Assad do poder e tomou o controlo da capital. O líder do grupo, Ahmed al-Sharaa, proclamou-se Presidente da Síria. 

O grupo HTS era anteriormente o grupo Al-Nusra, mas alterou o nome quando cortou ligações com o Al Qaeda, em 2016. Se isso significa que deixou de seguir ideais extremistas islâmicas e que conduzirá a Síria, finalmente, à democracia, temos que aguardar para ver.

Entretanto vários conflitos de disputa de territórios continuam em diferentes regiões da Síria, entre diferentes grupos militares.

Estima-se que, para além da destruição do país, esta guerra tenha causado, até ao momento (2026), meio milhão de mortos e 13 milhões de refugiados.









Imagem Wikimedia Commons.

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