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O que se sabe do Primeiro Rei de Portugal?





D. Afonso Henriques


Terá nascido a 25 de Julho de 1109, terceiro filho e o primeiro varão, de D.Teresa de Leão e de D. Henrique de Borgonha, que recebe a mão de D. Teresa em casamento e o Condado Portucalense, como recompensa do rei de Leão e Castela, pelo seu apoio militar na Reconquista Cristã da Ibéria aos mouros, sob condição de vassalagem ao rei D. Afonso VI.

Não se sabe ao certo a data do seu nascimento, nem o local. É apontado Guimarães ou Viseu.

A sua mãe, D. Teresa era filha ilegítima do rei de Leão, D. Afonso VI. O seu pai, o conde D. Henriques era nobre de origem borgonhesa e descendente da dinastia capetíngia franca de França. 

D. Henriques era neto de Roberto I, duque da Borgonha e bisneto do rei Roberto II de França, pelo lado paterno e descendia dos condes de Barcelona, pelo lado materno.

Após a morte do pai, herda o governo do Condado Portucalense, que ficava a noroeste no actual Portugal e fazia parte, na altura, do Reino de Leão.

No entanto, como D. Afonso tinha apenas 2-3 anos, e a sua mãe, D. Teresa, assumiu o governo do condado.

Afonso Henriques terá sido entregue à educação de Egas Moniz, o Aio, nas terras de Egas, em Cresconhe e Britiande. Egas Moniz era um dos mais poderosos nobres do Condado Portucalense. Afonso cresceu, assim, dentro do universo político da nobreza portucalense.

A relação de D. Teresa com o conde galego Fernão Peres de Trava e a crescente influência galega na administração do condado não agradava à nobreza portucalense, que a considerava um perigo para a autonomia do condado. 

D. Afonso tinha 12 anos quando os irmãos Fernão e Bermudo Peres de Trava ocuparam posições de grande influência política. Egas Moniz foi um dos nobres cuja posição foi afectada: Fernão Peres passou a controlar a tenência de Coimbra, passando Egas para numa posição subordinada.

Os nobres portucalenses começam a apoiar o filho de D. Teresa, D. Afonso Henriques, que aos 18 anos, assume-se como o líder do seu descontentamento e enfrenta as forças militares da mãe na Batalha de S. Mamede, a 24 de Junho de 1128.

Após a vitória, D. Afonso Henriques assume o governo do condado, aos 18 anos, e inicia o seu reinado como conde do Condado Portucalense.

Em 1131, aos 21 anos, funda o Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra.  São Teotónio foi o primeiro prior do Mosteiro e torna-se uma das figuras religiosas mais próximas de Afonso Henriques, uma espécie de conselheiro espiritual e político do rei.

São Teotónio era uma pessoa de grande prestígio, tinha estudado em Coimbra e Viseu e peregrinado à Terra Santa.

Santa Cruz não era apenas um mosteiro, tornou-se um centro de cultura, escrita, formação religiosa e produção de memória histórica dos primeiros tempos do reino.

Outra figura religiosa muito importante e próxima de D. Afonso Henriques foi o Arcebispo de Braga, D. João Peculiar, que trabalha diplomaticamente a relação com o Papa de Roma pela autonomia política portuguesa.

João Peculiar morreu em 1175, quatro anos antes da Manifestis Probatum (1179). 

D. Afonso Henriques continua a liderar a expansão para sul, conquistando territórios aos muçulmanos.

Em 1139, aos 30 anos, vence a importante Batalha de Ourique contra os mouros e é proclamado rei do Reino de Portugal, o que originou conflitos com o Reino de Castela e Leão, de onde o Condado Portucalense fazia parte.

Conta a lenda que, na véspera desta batalha, D. Afonso Henriques teve uma visão de Cristo crucificado, que lhe prometeu a vitória e protecção divina para o reino. Afonso Henriques teria então recebido a confirmação de que Deus o escolhera para fundar um novo reino.

A batalha terá decorrido no dia seguinte, 25 de Julho de 1139, e, apesar de estar em inferioridade numérica, Afonso Henriques derrotou as forças militares de 5 reis muçulmanos.

Este milagre é relatado nas crónicas medievais de Portugal de 1419, quase 3 séculos depois. Mas não aparece, nos registros sobre esta  batalha, nos Anais de Santa Cruz de Coimbra II, de 1168. Considerado que o Mosteiro de Santa Cruz, foi ordenado construir por D. Afonso Henriques, São Teotónio era  o prior  e muito próximo de D. Afonso, seria descabido esta visão não ser mencionada, se D. Afonso Henriques tivesse contado o episódio desta aparição. 

A futura bandeira do reino de Portugal, incluiria elementos que foram associados a esta mítica história: cinco escudos(quinas) que representariam os cinco reis mouros derrotados em Ourique e cinco besantes dentro de cada escudo simbolizando as cinco chagas de Cristo. Mas não existe documentação que  comprove esta simbologia.


Depois de várias  batalhas travadas, ao longo de 4 anos, com os castelhanos, é assinado o Tratado de Zamora, em 1143, no qual, o seu primo, D. Afonso VII reconhece  Afonso Henriques, como rei do Reino de Portugal, com a condição deste o aceitar como imperador da Hispânia. Apesar do compromisso, Afonso Henriques nunca terá cumprido a sua parte no acordo. 

Tornando-se, assim, oficialmente, rei de Portugal, aos 34 anos.

Aos 36-37 anos, em 1146, casa com D. Mafalda de Sabóia, de 20 anos, filha de Amadeu III, conde de Saboia e de Moriana, uma poderosa família aristocrática dos Alpes. 
Tiveram 6 filhos, dando inicio à Dinastia de Borgonha ou Afonsina.

  1. D. Henrique (1147–1155) — morreu criança.
  2. D. Mafalda (c. 1149–1162) — morreu adolescente.
  3. D. Urraca (c. 1151–1188) — casou com D. Fernando II de Leão.
  4. D. Sancho I (1154–1211) — sucedeu ao pai como rei.
  5. D. Teresa (c. 1157–1218) — casou com Filipe da Alsácia, conde da Flandres.
  6. D. João (datas incertas) — morreu jovem.

Mas D. Afonso Henriques teve, também, filhos ilegítimos, entre os quais:

  1. D. Fernando Afonso ( nasc 1135 ou 1140) com D. Châmoa Gomes, uma nobre galega, pertencente à poderosa linhagem dos Gomes de Pombeiro. D. Fernando Afonso tornou-se mestre da Ordem de Santiago, em Portugal;
  2. D. Pedro Afonso com D. Châmoa Gomes, que teve importante carreira militar e política;
  3. D. Urraca Afonso com D.Elvira Gualter, nobre ligada à corte de Afonso Henriques. D. Urraca casou com o neto de Egas Moniz e tornou-se Senhora de Aveiro;
  4. D. Teresa Afonso com Elvira Gualter ou Châmoa Gomes.


Afonso Henrique era um rei-guerreiro que combatia nas batalhas, mas na história da conquista de Santarém, em 1147,  D. Afonso Henriques, de 37 anos, torna-se um herói de força extraordinária. Pois, durante o ataque nocturno surpresa à cidade fortificada, considerada quase impenetrável, terá conseguido levantar ou forçar as portas da cidade, permitindo a entrada dos seus homens e tomando Santarém aos muçulmanos.

Nesse mesmo ano, após 4 meses de cerco ao castelo de São Jorge, conquista Lisboa aos mouros, com a ajuda dos cruzados.

Em 1157, D. Afonso Henriques nomeia Gualdim País como mestre da Ordem dos Templários, em Portugal. Após este regressar da Segunda Cruzada à Terra Santa. Além disso, este havia combatido, também, na conquista de Santarém e Lisboa, em 1147.

Gualdim Pais inicia a construção de uma rede defensiva incluindo: Castelo de Tomar, iniciado em 1160; Castelo de Almourol.

O auxilio militar da Ordem dos Templários no combate à ocupação muçulmana já havia chegado a Portugal, desde 1128, quando ainda era o Condado Portucalense, governado pela sua mãe.

D. Mafalda de Saboia morre, provavelmente entre 1157 e 1159, com cerca de 32–34 anos, de causa desconhecida. D. Afonso Henriques fica viuvo aos 48 anos, depois de 11 anos de casamento.

Morre São Teutónio, quando D. Afonso tinha 53 anos, após acompanha-lo durante grande parte da construção do reino.

A Batalha de Badajoz foi a sua última.  Em 1169, Geraldo Sem Pavor atacou Badajoz muçulmano, tomou a cerca e pediu auxilio ao rei. Mas os guerreiros portugueses foram surpreendidos pelo exército de Leão, o que obrigou à retirada portuguesa. 

Durante a fuga, o cavalo ferido de D. Afonso Henriques terá caído em cima da sua perna. Gravemente ferido, é feito prisioneiro pelo genro, o rei Fernando II de Leão,  "durante 2 meses", até entrarem em acordo para a devolução de regiões na Galiza e renunciar às suas pretensões expansionistas na Galiza.

D. Afonso Henriques, de 59 -60 anos, nunca recuperou da lesão, ficando com uma deficiência permanente, coxo.

Pouco depois, começou a preparar o seu filho, D. Sancho para a regência. A sua filha D. Teresa parece ter assumido igualmente parte da regência, antes do seu casamento com o conde da Flandres.

Por volta de 1170 , funda a Ordem de Évora. concedeu-lhe importantes territórios. Mais tarde, já no reinado de D. Sancho I, a ordem passou a chamar-se Ordem de Avis.

Em 1179, o Papa Alexandre III, através da Bula Manifestis Probatum, reconhece Portugal como Reino e Afonso Henriques como seu rei, aos 69 anos.

7 anos depois, D. Afonso Henriques morre a 6 de Dezembro de 1185, em Coimbra, de causa desconhecida, depois de 57 anos de reinado.

Morreu aos 76 anos, idade que poucos alcançavam na Idade Média e tendo  quase seis décadas envolvido em guerras, campanhas e conflitos políticos.

Foi sepultado na Igreja de Santa Cruz, em Coimbra, que ordenara construir, no coração da sua primeira capital. 
Os seus restos mortais foram transferidos para o actual túmulo de mármore esculpido, mandado erguer por D. Manuel I, em 1520.
O seu filho D. Sancho I e São Teotónio encontram-se sepultado no mesmo local.

Além de tomar territórios aos mouros, D. Afonso Henriques preocupou-se em  assegurar a sua defesa, promover o povoamento e consolidar o apoio da nobreza e da Igreja.

Pela fundação do Reino de Portugal e pela conquista de vastos territórios aos mouros, ficou conhecido como “O Conquistador”. D. Afonso Henriques reconquistou mais território muçulmano do que qualquer outro rei cristão da Península Ibérica durante o seu reinado.




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