![]() |
| Templo Romano de Diana, em Évora, com aprox. 2000 anos, junto à Igreja de São João Evangelista, do séc. 15, com aprox. 550 anos. ( imagem de domínio público, de fonte: Pinterest) |
- Os Povos Ibéricos
- Os Lusitanos (Centro e Interior) de raízes indo-europeias e influências célticas;
- Os Cónios, Cempsos e Túrdulos (Sul) de raízes diversificadas, receberam forte influência mediterrânea.
- A Presença Fenícia e Cartaginense na Ibéria
Trouxeram ou difundiram produtos, técnicas e práticas mediterrânicas, tais como:
- Técnicas avançadas de fundição de metais;
- Novas técnicas de exploração de minas;
- Novas técnicas de produção de cerâmica ( a roda do oleiro);
- Novas técnicas de navegação e novos tipos de embarcações, como os barcos a remos e a vela;
- Desenvolvem a pesca e a conservação do peixe, através da salga;
- A escrita alfabética que influenciou a escrita do Sudoeste, usada pelos Cónios e outros povos do sul;
- Novas práticas religiosas e artísticas.
As trocas comerciais e de conhecimentos trouxe prosperidade para estas regiões ibéricas.
- A Ocupação Romana
Após a vitória romana da famosa Segunda Guerra Púnica(1), em que Anibal, líder militar Cartaginense, atravessa os Alpes com elefantes norte-africanos, os Romanos ocupam as costas mediterrânicas da península, em 218 a.C.
Em 146 a C., Roma derrota definitivamente Cartago, durante a Terceira Guerra Púnica, e vão avançando para o interior da Ibéria.
Os Romanos tinham interesse nos recursos naturais da região como: prata, cobre e estanho, mas, sobretudo no domínio do comércio do Mediterrâneo.
O geógrafo grego Estrabão descreveu a região da Ibéria mais difícil de conquistar, muito favorecida de frutos, animais e quantidade de ouro, prata e outros metais similares, e que os povos “montanheses” que a habitavam eram frugais, alimentando-se sobretudo de carne de cabra e de bolotas que usavam para fazer pão. Estas bolotas, que provinham de carvalhos, azinheiras e sobreiros, serviam também para alimentar animais domésticos, como o porco”.
Os Romanos deram à Península Ibérica o nome de Hispânia e, em 197 a.C., organizaram inicialmente o território em duas províncias:
- Hispania Citerior (leste da Ibéria, onde se incluíam as regiões norte de Portugal)
- Hispania Ulterior (sul e oeste da península, onde se incluía centro e sul de Portugal).
Com o passar do tempo, vão criando mais províncias romanas, de forma a governa-las de forma mais eficiente.
No final do século 3 d.C., a Península encontrava-se dividida em várias províncias romanas, entre elas:
- Hispania Galécia (Galícia, Astúrias e Norte de Portugal),
- Hispania Lusitânia (Centro e Sul de Portugal e Centro-Oeste da actual Espanha),
- Hispania Baética (actual Andaluzia e incluía uma pequena parte do actual território português),
- Hispania Tarraconense (Norte, Nordeste e parte do Interior de Espanha),
- Hispania Cartaginense (Centro, Leste e Sudeste de Espanha).
Romanização da Ibéria
Os Romanos dominaram quase 700 anos a Península Ibérica e durante esse período as populações locais foram adoptando instituições, leis, costumes, língua e formas de organização romanas, embora muitas tradições locais tenham permanecido.
- O latim passou a ser a língua dominante e seria a origem das futuras línguas românicas, como o português.
- A numeração romana começou a ser usada.
- Os Romanos construíram uma extensa rede de estradas, pontes e aquedutos(2), além de cidades, teatros, templos, termas e outros edifícios públicos, que facilitaram a circulação de pessoas, mercadorias e tropas e unificaram os diferentes territórios do Império.
- Na agricultura, introduziram novas técnicas e intensificaram a produção de vinho, azeite e cereais (trigo).
- Criaram indústrias de salga do peixe, olaria, tecelagem, metalurgia, outros.
- Desenvolveram mais o comércio e aumentaram o uso da moeda.
- O exército romano mantinha a ordem e a segurança da região e recolhia os impostos para o Imperador romano.
- Introduziram o Cristianismo, que se tornaria a religião dominante da região do actual Portugal, durante mais de 1.900 anos, sendo que 700 anos como religião oficial do Reino de Portugal.
É durante o domínio romano que nasce Jesus e os romanos politeístas (crença em vários deuses), crucificaram-no na Palestina Romana. 350 anos depois, os romanos adoptam o Cristianismo. Em 389 d. C. torna-se a religião oficial do Império romano, e, portanto, das regiões de Portugal.
Os romanos não só transformaram como desenvolveram os territórios que conquistaram, e a população ibérica aumentou durante esse periodo.
Os romanos controlaram a região até à chegada dos povos germânicos, no século 5 d.C., a partir do qual, os Suevos estabeleceram-se sobretudo no Noroeste, enquanto os Visigodos acabaram por dominar grande parte da Península, incorporando posteriormente o reino Suevo.
Nota: A maioria dos povos que habitaram o território de Portugal durante a Antiguidade não deixou fontes escritas próprias. Grande parte do que sabemos sobre eles provém dos vestígios arqueológicos e das crónicas e descrições geográficas de autores gregos e romanos da Antiguidade.
Análise
Vários povos tiveram influência na cultura portuguesa, muito antes da fundação do Reino de Portugal, no século 12. Conhecer estes povos é conhecer as raízes de muitas das práticas, costumes e tradições que contribuíram para moldar a cultura portuguesa ao longo dos séculos.
Mas, estas civilizações antigas não contribuíram só para a cultura, mas, também, para o desenvolvimento económico, social e urbano da região, através da agricultura, do comércio, da exploração dos recursos naturais, das técnicas de construção e de outras formas de organização da sociedade.
Os actuais portugueses são, também, descendentes de todos estes antigos povos, que habitaram o território português e se foram misturando com outros e adaptando às mudanças provocadas pela dominação de diferentes povos.
Glossário
Guerras Púnicas (1) - Consistiram em 3 conflitos entre Roma e Cartago pelo domínio do Mar Mediterrâneo. Depois de um século de guerra, Roma venceu.
Aquedutos (2) - Uma das inovações introduzidas pelos romanos, na Ibéria, que serviam para levar água de fontes de zonas distantes até às cidades.
