Avançar para o conteúdo principal

A Idade Antiga em Portugal - Resumo


Templo Romano de Diana, em Évora, com aprox. 2000 anos, junto à Igreja de São João Evangelista, do séc. 15,  com aprox. 550 anos.
 ( imagem de domínio público, de fonte: Pinterest)





O Período da Antiguidade é marcado pelo inicio da escrita, que no território do Portugal actual, teve inicio entre os séculos 8 e 7 a.C.  Portanto teve a duração de aproximadamente,1300 anos, até ao século 5 d. C.

Neste periodo viviam na região de Portugal vários povos, que se foram formando durante a Pré-História, entre eles:

  • Os Povos Ibéricos
- Os Galaicos (Norte e Noroeste) Associados à cultura de castros fortificados, de raízes indo-europeias e forte influência céltica;

- Os Lusitanos (Centro e Interior) de raízes indo-europeias e influências célticas;

- Os Cónios, Cempsos e Túrdulos (Sul) de raízes diversificadas, receberam forte influência mediterrânea.

Norte e Noroeste de Portugal
Os Galaicos viviam no Norte de Portugal e Galiza,   em casas circulares de pedra, dentro de povoados fortificados, em colinas (castros). 
Dedicavam-se à agricultura, pastorícia, caça, metarlugia e exploração mineira e tinham as sua próprias trdições religiosas.
Os principais grupos galaicos eram: Brácaros (Braga e Minho); Quaqermos (Gerês), Limicos ( rio Lima).

Centro e Interior de Portugal
Os Lusitanos são o povo mais conhecido da Antiguidade Portuguesa, pela sua longa resistência à conquista romana, sobretudo sob a liderança de Viriato. 
Viviam sobretudo no Centro e Interior da Península Ibérica, em comunidades organizadas em povoados fortificados, ou castros. Falavam lusitano, uma língua indo-europeia, e viviam principalmente do pastoreio, da agricultura e, em menor escala, do comércio.

Os autores clássicos descrevem-nos como um povo guerreiro. Segundo Estrabão, geógrafo grego do século 1 a.C., "os Lusitanos eram fortes como lobos e tinham um espirito rebelde e ânimo guerreiro. Usavam o cabelo comprido como as mulheres e eram hábeis na luta de guerrilhas e a armar emboscadas. Usavam um pequeno escudo redondo suspenso ao pescoço por correias e um punhal ou espada.
(...) Alimentavam-se apenas uma vez ao dia, de carne de cabra e pão de farinha de bolota, e durante a refeição, sentavam-se em circulo, em bancos de pedra e a comida era passada de mão em mão. Bebiam uma espécie de cerveja de cevada e homens e mulheres dançavam, de mãos dadas, ao som de flautas e trombetas.(...) Dormiam no chão, sobre palha e mantos de lã. "

No entanto, os autores greco-romanos descreviam os povos da Península sem nem sempre distinguirem claramente os diferentes grupos.

A Lusitânia romana só surgiria após o domínio romano. A sua capital, Emerita Augusta (Mérida), foi fundada pelos Romanos em 25 a.C., já depois da conquista, e não correspondia a uma capital dos Lusitanos pré-romanos.


Algarve e Baixo Alentejo
Já as regiões do Algarve e Baixo Alentejo eram povoadas pelos Cónios (Coni) ou Cinetes, cuja língua não parece ter sido indo-europeia, embora tenham recebido forte influência de povos indo-europeus. Estavam culturalmente ligados ao antigo mundo tartéssico e receberam forte influência mediterrânea, sobretudo dos Fenícios, através do comércio marítimo.
Dedicavam-se à agricultura, exploração de recursos minerais, comercio marítimo, metalurgia e desenvolveu uma das primeiras escritas da Península Ibérica.

Os Cempsos e Túrdulos, são geralmente associados a populações indo-europeias,  mas  pouca informação existe. Sabe-se que estariam, também, ligados ao mundo tartéssico e que receberam uma forte influencia dos povos mediterrâneos com quem mantinham trocas comerciais.



  • A Presença Fenícia e Cartaginense na Ibéria
Vários povos mediterrâneos, principalmente Fenícios e, mais tarde, os Cartagineses, chegaram ao sul e litoral de Portugal, durante a Idade dos Metais, atraídos pelos minérios existentes nesta região, como a prata, o ouro, o cobre e o estanho. Mas a sua actividade comercial intensificou-se durante a Idade Antiga, criando entrepostos comerciais na costa Ibérica, que em alguns casos se transformaram em cidades,  influenciando fortemente as populações locais.

Os Fenícios, antigo povo de navegadores e comerciantes, originário do actual Líbano e da zona costeira da Síria, estabeleceram, no séc. 8 a.C., vários pontos de comércio em Portugal, entre eles: Tavira, Alcácer do Sal, Setúbal (Abul), Lisboa (Olisipo) e criaram rotas marítimas para trocar produtos. 

Trouxeram ou difundiram produtos, técnicas e práticas mediterrânicas, tais como:

  • Técnicas avançadas de fundição de metais;  
  • Novas técnicas de exploração de minas; 
  • Novas técnicas de produção de cerâmica ( a roda do oleiro);
  • Novas técnicas de navegação e novos tipos de embarcações, como os barcos a remos e a vela; 
  • Desenvolvem a pesca e a conservação do peixe, através da salga;
  • A escrita alfabética que influenciou a escrita do Sudoeste, usada pelos Cónios e outros povos do sul;
  • Novas práticas religiosas e artísticas.

As trocas comerciais e de conhecimentos trouxe prosperidade para estas regiões ibéricas.

Cartagineses, antigo povo, descendente dos Fenícios, habitava Cartago (actual Tunísia), que no séc. 6 a.C tornou-se a principal potência comercial do Mediterrâneo. 
Este povo manteve e expandiu as redes comerciais dos Fenícios e dedicava-se ao comércio de metais e de peixe salgado.


  • A Ocupação Romana

Após a vitória romana da famosa Segunda Guerra Púnica(1), em que  Anibal, líder militar Cartaginense, atravessa os Alpes com elefantes norte-africanos, os Romanos ocupam as costas mediterrânicas da península, em 218 a.C.

Em 146 a C., Roma derrota definitivamente Cartago, durante a Terceira Guerra Púnica, e  vão avançando para o interior da Ibéria.

Os Romanos tinham interesse nos recursos naturais da região mas, sobretudo no domínio do comércio do Mediterrâneo.

O geógrafo grego Estrabão descreveu a região da Ibéria mais difícil de conquistar, muito favorecida de frutos, animais e quantidade de ouro, prata e outros metais similares, e que os povos “montanheses” que a habitavam eram frugais, alimentando-se sobretudo de carne de cabra e de bolotas que usavam para fazer pão. Estas bolotas, que provinham de carvalhos, azinheiras e sobreiros, serviam também para alimentar animais domésticos, como o porco”.

Os Romanos deram à Península Ibérica o nome de Hispânia e, em 197 a.C., organizaram inicialmente o território em duas províncias:  

- Hispania Citerior (leste da Ibéria, onde se incluíam as regiões norte de Portugal)  

- Hispania Ulterior (sul e oeste da península, onde se incluía centro e sul de Portugal).

Com o passar do tempo, vão criando mais províncias, de forma a  governa-las de forma mais eficiente. 

No final do século 3 d.C., a Península encontrava-se dividida em várias províncias romanas, entre elas:

  • Hispania Galécia (Galícia, Astúrias e Norte de Portugal), 
  • Hispania Lusitânia  (Centro e Sul de Portugal e Centro-Oeste da actual Espanha),
  • Hispania Baética (actual Andaluzia e incluía uma pequena parte do actual território português), 
  • Hispania Tarraconense (Norte, Nordeste e parte do Interior de Espanha), 
  • Hispania Cartaginense (Centro, Leste e Sudeste de Espanha).


Romanização da Ibéria

Os Romanos dominaram quase 700 anos a Península Ibérica e durante esse período as populações locais foram adoptando instituições, leis, costumes, língua e formas de organização romanas, embora muitas tradições locais tenham permanecido.

- O latim passou a ser a língua dominante e seria a origem das futuras línguas românicas, como o português.

- A numeração romana começou a ser usada.

 - Os Romanos construíram uma extensa rede de estradas, pontes e aquedutos(2), além de cidades, teatros, templos, termas e outros edifícios públicos, que facilitaram a circulação de pessoas, mercadorias e tropas e unificaram os diferentes territórios do Império.

- Na agricultura, introduziram novas técnicas e intensificaram a produção de vinho, azeite e cereais (trigo). 

- Criaram indústrias de salga do peixe, olaria, tecelagem, metalurgia, outros.

- Desenvolveram mais o comércio e aumentaram o uso da moeda.

 - O exército romano mantinha a ordem e a segurança da região e recolhia os impostos para o Imperador romano.

- Introduziram o Cristianismo, que se tornaria a religião dominante da região do actual Portugal, durante mais de 1.900 anos, sendo que 700 anos como religião oficial do Reino de Portugal.

É durante o domínio romano que nasce Jesus e os romanos politeístas (crença em vários deuses), crucificaram-no na Palestina Romana.  350 anos depois, os romanos adoptam o Cristianismo. Em 389 d. C. torna-se a religião oficial do Império romano, e, portanto, das regiões de Portugal.

Os romanos não só transformaram como desenvolveram os territórios que conquistaram, e a população ibérica aumentou durante esse periodo.

Os romanos controlaram a região até à chegada dos povos germânicos, no século 5 d.C., a partir do qual, os Suevos estabeleceram-se sobretudo no Noroeste, enquanto os Visigodos acabaram por dominar grande parte da Península, incorporando posteriormente o reino Suevo.


Nota: A maioria dos povos que habitaram o território de Portugal durante a Antiguidade não deixou fontes escritas próprias. Grande parte do que sabemos sobre eles provém dos vestígios arqueológicos e das crónicas e descrições geográficas de autores gregos e romanos da Antiguidade.


Análise

Vários povos tiveram influência na cultura portuguesa, muito antes da fundação do Reino de Portugal, no século 12. Conhecer estes povos é conhecer as raízes de muitas das práticas, costumes e tradições que contribuíram para moldar a cultura portuguesa ao longo dos séculos.

Mas, estas civilizações antigas não contribuíram só para a cultura, mas, também, para o desenvolvimento económico, social e urbano da região, através da agricultura, do comércio, da exploração dos recursos naturais, das técnicas de construção e de outras formas de organização da sociedade.

Os actuais portugueses são, também, descendentes de todos estes antigos povos, que habitaram o território português e se foram misturando com outros e adaptando  às mudanças provocadas pela dominação de diferentes povos.


Glossário

Guerras Púnicas (1) - Consistiram em 3 conflitos entre Roma e Cartago pelo domínio do Mar Mediterrâneo. Depois de um século de guerra, Roma venceu.

Aquedutos (2) - Uma das inovações introduzidas pelos romanos, na Ibéria, que serviam para levar água de fontes de zonas distantes até às cidades.  




Outros Artigos

Pré - História, Resumo dos Primeiros Humanos

História de Portugal - Fundação de Portugal - Resumo

A História de África - Resumo

A Origem do nome Portugal

O que é a União Europeia?

O Fim da Ilusão Americana?

Os Judeus eram o Bode Expiatório da Europa?

História Medieval da Europa - Resumo

Países Comunistas

A Reserva de Ouro Português